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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Scaia Corvina - Tenuta Sant`Antonio - 2013

A Tenuta Sant`Antonio vem arrancando elogios da imprensa italiana há muitos anos. Seus Amarones e Valpolicella Ripasso frequentam as páginas do Gambero Rosso e, não raro, faturam o selo “Tre Bicchieri”. Criada em 1989 a partir da iniciativa dos quatro irmãos Castagnedi, a casa busca reduzir a intervenção humana no processo de vinificação por meio de práticas como redução do uso de implementos químicos e recurso a compostos orgânicos. Hoje, provamos este varietal Corvina, que não passa por estágio em madeira. Interessante perceber o detalhe da rolha de vidro, a primeira com que nos deparamos.
Visual rubi ocre com claros sinais de evolução. Não aparenta apenas 3 anos de idade. No nariz, é muito concentrado em notas adocicadas de alcaçuz, baunilha e melaço. Em boca, traz belas combinações dos tons açucarados com frutas negras. Interessante pensar se a evolução rápida não decorre da opção pela rolha de vidro… O que acham?


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sábado, 8 de janeiro de 2011

Um Valpolicella anabolizado: Ripasso - Ca`Rugate - 2008

    O Valpolicella está para o Vêneto como o Chianti está para a Toscana. Duas denominações famosas, altamente reconhecidas, de grandes volumes de produção e que nem sempre trazem a qualidade que se espera. Mas, na massa de Valpolicellas produzidos, há um tipo especial. É o Ripasso, nome de uma técnica especial que consiste em deixar um Valpolicella comum em contato com os bagaços das uvas desidratadas do Amarone, o vinho mais nobre da região. Com mais "comida" à disposição, as leveduras continuam seu trabalho, produzindo mais álcool, e dando mais corpo ao vinho. É basicamente um Valpolicella "bombado" com o perdão da palavra.
    A Azienda Ca`Rugate é um tradicional produtor de Amarones e Soaves. A família Tessari cultiva seus vinhedos desde o início do século passado, mas o nome Ca`Rugate foi criado apenas em 1986, por parte dos filhos de Fulvio Tessari, o patriarca, quase centenário, que continua na ativa. Temos um corte de 40% Corvina, 30% Rondinella e 30% Corvinone. Metade do vinho passa oito meses em madeira. Álcool a  14%.
    O visual é de um rubi bastante leve e transparente. No nariz temos dois grandes componentes: frutas vermelhas (cereja, morango e framboesa) muito evidentes e elegantes e um alcaçuz amadeirado. Por vezes sentimos também um perfume etéreo, que, por falta de melhor descrição, lembra aqueles purificadores de ambiente. Na boca traz muito açúcar e sabores intensos e marcantes de frutas. Muito potente, domina completamente o palato, bem estruturado. Taninos muito discretos, mas não fazem falta. Persistência média.
    Este vinho me coloca numa situação difícil: é bem feito, traz um belo caráter de frutas, mas também muito açúcar e... alcaçuz. Quem acompanha este blog sabe que eu tenho um trauma infantil: xarope para tosse. Quando criança tinha crises terríveis de tosse. E alcaçuz me remete imediatamente às longas noites não dormidas, tossindo sem parar. Portanto, não deixem de procurar e experimentar este vinho ou outros Valpolicella Ripasso, mas ele simplesmente não faz meu tipo. Esse é o aspecto mais mistificante do vinho: como uma simples taça pode evocar memórias de um passado obscuro e enterrado, contribuindo para um infinito processo de auto-conhecimento.  
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Bardolino Superiore Pràdicà - Corte Gardoni - 2008

    O Bardolino é mais um vinho do Vêneto que vive à sombra dos Valpolicellas e Amarones. Às margens do belo Lago di Garda surge a cidade de Bardolino, que dá nome ao vinho feito predominantemente com as uvas Corvina, Rondinella e Molinara, todas típicas da região.
    A Corte Gardoni começou a produzir seus próprios vinhos apenas em 1980, mas há vários séculos a família Piccoli se dedica à viticultura e a outras frutas. O vinho é um corte de Corvina a 65%, Rondinella a 25% e Sangiovese a 10%. Descansa por um ano em barris de carvalho e tem 13% de teor alcoólico. 
    A coloração é de um rubi leve, transparente, com mínimo halo aquoso. Um belo bouquet se apresenta. Frutas vermelhas frescas, conjugadas a um couro-amadeirado, circundados por um interessante frescor vegetal. Um frutado muito delicado, delicioso. Na boca é equilibrado, concentrado, saboroso e intenso. Cerejas e framboesas em profusão. Como um ninja, este vinho consegue ser potente e sutil, forte e leve, brutal e preciso. Taninos  presentes mas em ordem. Persistência média. Um Vinhão por cerca de 10 euros. 
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