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domingo, 13 de março de 2016

Maycas del Limarí - Quebrada Seca - 2014

A Maycas nasceu de um projeto do enólogo Marcelo Papa, cujo objetivo era substituir os paradigmas da quantidade e do volume, predominantes no Chile de meados da década de 1990, e produzir vinhos que expressassem suas origens. A escolha recaiu sobre as variedades típicas da Borgonha, que poderiam se dar bem no clima ameno do Vale do Limarí. A receita vem dando certo, com premiações diversas e pontuações altas das principais publicações internacionais. Hoje, provamos o “Quebrada Seca”, um varietal Chardonnay que provém do vinhedo de mesmo nome. Há estágio de um ano em carvalho francês, ao que se segue mais um ano de espera em garrafa antes de sair para o mercado.

Coloração dourada leve. No nariz, predominam elegantes notas minerais de pedra molhada que se juntam a aromas herbáceos e florais estilo jasmim. Não há resquício de madeira. Em boca, tem boa presença, com acidez respeitável. Um delicioso banquete de frutas brancas acompanhado por belíssima mineralidade. Vinhão!  
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domingo, 29 de novembro de 2015

Dá-lhe, Cousiño-Macul! Don Matias Reserva - Cabernet Sauvignon - 2014

Já provamos várias propostas da Cousiño-Macul por aqui e podemos dizer que essa tradicionalíssima casa chilena conquistou nossos corações. Seus vinhos são sempre confiáveis, ainda que nem sempre exatamente acessíveis. Hoje, provamos o Don Matias, gama intermediária entre a básica Don Luis e a mais elaborada Antiguas Reservas. O nome é uma referência ao fundador da vinícola. Trata-se de um varietal Cabernet Sauvignon proveniente do Vale do Maipo. Há estágio em madeira, ainda que não se especifique a duração nem o tipo de barril.
Coloração vívida e intensa, típica da juventude. No nariz, um belo perfil concentrado em frutas negras maduras, com toques de ervas e especiarias e excelente integração com a madeira. Há relances de baunilha. Em boca, é macio, gostoso e suculento, novamente mostrando frutas suculentas. Uma bela proposta intermediária da Cousiño-Macul, que pode fazer muito estrago na faixa dos R$ 30.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O monstro: Canepa Magnificum - 2012

Já provamos por aqui a linha Novísimo desta interessante vinícola chilena. Hoje, provamos este Magnificum, que compõe a gama de topo da Canepa e é elaborado apenas em anos excepcionais. Trata-se de um Cabernet Sauvignon com pitadas ocasionais de Syrah e Petit Verdot. Há estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês.

Visual rubi intenso, quase completamente preto. No nariz, um perfil extremamente dark e concentrado, cheio de frutas bombásticas e potentes, um verdadeiro fruit bomb com eventuais granadas de chocolate. Em boca, surgem novas explosões de fruta e a sensação é de estar provando uma geleia super concentrada de frutas do bosque. Um vinho opulento, rico, cheio de sabor, álcool e aromas violentos. Use com moderação!
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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ventisquero Reserva Cabernet Sauvignon - 2013

O nome Ventisquero é uma referência para escolhas seguras quando se trata de vinho chileno. Desde as mais simples propostas, como a linha Clasico, que provamos aqui, até as gamas mais elevadas, como a V9, também já degustada por aqui, os Ventisquero são bons vinhos, que, na maioria das vezes, cumprem bem sua proposta e, frequentemente, chegam a surpreender. Hoje, provamos mais um integrante da extensa gama da casa. Este Reserva é um Cabernet Sauvignon com uma pitada de Syrah (15%) e, nesta safra 2013, levou 89 pontos do tradicional guia Descorchados. 70% do vinho passa por estágio de 10 meses em carvalho francês.

Coloração muito intensa, negra, opaca, um poço de petróleo. No nariz, uma saraivada de frutas em compota: ameixa, mirtilo, tudo ao estilo geléia primordial. Temos especiarias, madeira, baunilha, um belo e complexo espetáculo. Em boca, taninos vivos e marcantes, com boa densidade de frutas e final gostoso e duradouro. Um baita vinho gostoso por preço relativamente acessível (cerca de R$ 35). O mais interessante da gama dentre os que já provamos!
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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ventisquero V9 Gran Reserva - Carménère - 2012

A Ventisquero é um dos grandes nomes do vinho chileno. A linha Clásico é uma referência de vinhos seguros, bem-feitos e acessíveis para o dia a dia. Este V9 não aparece no site da casa, mas, pelo posicionamento de mercado, deve compor a gama intermediária da vinícola. Este Carménère leva pequena adição de Cabernet Sauvignon (10%). Há estágio de dez meses em barricas de carvalho.

Visual rubi tendente ao negro, com discreto halo. No nariz, o tradicional e esperado perfil de frutas negras em abundância combinadas a toques amadeirados e abaunilhados. Em boca, é agradável, macio, saboroso, frutado, mas passageiro. Bom vinho, que cumpre muito bem o papel de se encaixar no perfil fruit bomb, mas que não se destaca em meio à multidão.
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domingo, 26 de abril de 2015

Canepa Novísimo - Chardonnay - 2014

A Canepa é um dos grandes nomes do vinho chileno. Como é usual entre as casas vinícolas do país andino, seus fundadores são de origem italiana. Mais especificamente, Giuseppe Canepa Vacarezza, um genovês, foi o fundador de uma das mais icônicas vinícolas chilenas, hoje dona de modernas instalações em Peralillo, no Vale de Colchagua. Sob a batuta do enólogo Javier Solari, a casa exporta sua extensa gama para diversos países. Esse “Novísimo” compõe a linha de entrada da casa. Trata-se de um simples varietal Chardonnay do Vale Central, muito acessível (R$ 15-20) e acabado de sair do prelo, nessa safra 2014.
Visual dourado acinzentado claro e límpido. No nariz, é muito intenso, com uma tonelada de frutas brancas e tropicais (abacaxi, pêra, maçã verde). Belo perfume. Em boca, é vívido, refrescante e, novamente, densamente frutado, desta vez puxando para um misto de kiwi e maracujá. Uma excelente proposta pelo preço!
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sábado, 21 de março de 2015

Cabernet Sauvignon de primeira: 1865 Single Vineyard - 2011

Já provamos inúmeros vinhos da San Pedro, um dos principais nomes da vinicultura chilena. Hoje, é a vez da linha 1865, que integra o segmento superior da casa. Trata-se, especificamente, da edição comemorativa do prêmio de “Melhor Cabernet Sauvignon do Chile” obtido na Awoca de 2013. Há estágio de doze meses em barricas de carvalho francês e americano.

Coloração rubi muito intensa e opaca, com discretos toques de ocre, denotando evolução. No nariz, um elegante perfil especiado, com quilos de menta e hortelã integradas com madeira num fundo de potentes frutas negras. Muito sedutor. Em boca, tem excelente estrutura e corpo, sem exagerar no peso e no álcool. Longo e muito elegante. Expressivo e refinado. Vale a pena conhecer!
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sábado, 14 de março de 2015

Irreverência e pioneirismo: Cono Sur Bicicleta Carménère - 2012

Modernidade e inovação são as palavras-chave para entender esta jovem vinícola chilena. Dentre os feitos alcançados ao longo de seus vinte e dois anos de existência estão a introdução da Viognier no terroir chileno e um dos maiores volumes de produção de Pinot Noir em todo o mundo. Após uma ascensão meteórica para o grupo dos maiores exportadores de vinho chileno, a Cono Sur consolidou sua posição com vinhedos em praticamente todos os terroirs do país. Desde 1995, a casa vem utilizando, com grande entusiasmo, rolhas sintéticas e tampas de rosca em seus vinhos. O amor pelo novo por vezes resvala na crítica aberta a todo o clima de tradição e história que permeia o universo vitivinícola: no site, é possível ler os dizeres “No family trees, no dusty bottles, just quality wine”.
A linha Bicicleta é a mais básica da casa e conta com uma variedade impressionante de opções: desde um Gewurztraminer do Vale de Bio-Bio até um Syrah do Vale de Colchagua. Os tintos, em sua maioria, levam algumas pitadas de outras uvas. Este Carménère que provamos, por exemplo, é complementado por pequenas adições de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Malbec, Carignan e Alicante Bouchet. Incrível!

Coloração densa e opaca, de um rubi tendente ao púrpura. No nariz, é muito intenso e portentoso, com amplas e exuberantes notas de frutas em compota, especialmente amoras, ameixas e groselha. A madeira está bem integrada, criando um perfil dark e poderoso. No fundo, uma intrigante nota vegetal faz sua aparição. Em boca é bem estruturado, como seria de se esperar, trazendo sobretudo frutas maduras. Taninos muito redondos. Excelente proposta por um preço convidativo!
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sábado, 31 de janeiro de 2015

Cabernet Sauvignon denso e simples: Miguel Torres - Hemisferio Reserva 2013

A história da família Torres no Chile começa em 1979, quando, após 140 anos de experiência na Espanha, Miguel Torres, atraído pelas promissoras condições climáticas, decide dar início à produção no Vale de Curicó. Atualmente, a vinícola é um dos grandes nomes da vinicultura chilena e conta com 400 ha. de vinhas distribuídos por seis vinhedos em diferentes terroirs chilenos. Os enólogos Horácio Fuentes e Cristian Carrasco são responsáveis por controlar a produção das 44 milhões de garrafas ao ano. Esta gama Hemisferio Reserva é uma das mais populares da casa e conta com estágio de seis meses em barricas de carvalho francês.
Coloração rubi quase totalmente opaca, muito intensa. No nariz, muita madeira divide o palco com alguma fruta negra. Muito intenso, mas também bastante simples e unidimensional. Em boca, repete o estilo direto e sem floreios. É corpulento e carnudo, mas sem qualquer profundidade ou dimensão mais profunda. Um bom vinho, despretensioso e potente. Vale conhecer.
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segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Veramonte - Sauvignon Blanc - 2013

Não escondemos nossa admiração pelo trabalho da Veramonte no incrível Vale de Casablanca. Usualmente, seus vinhos são muito expressivos, cheios de frescor e de intensa expressão frutada. Esta linha Reserva é uma de nossa preferidas, por conseguir mostrar muita qualidade a preços acessíveis. Surpreendentemente, não havíamos ainda provado este Sauvignon Blanc, cultivado a trinta quilômetros do Oceano Pacífico, com brevíssima decantação em aço inox.
Coloração dourada clara, límpida. No nariz, é muito frutado (pêra, melão, maçã verde) e exuberante, com típica nota gramínea ao fundo. Em boca, tem acidez pungente, é muito fresco e saboroso, com nítidos tons frutados. Uma excelente opção para um dia quente, acompanhando peixes e/ou saladas.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Mini vertical: Suyai - Terra Andina - 2007 e 2009

A Viña Santa Rita tem, dentre suas crias, a Terra Andina, vinícola que vem se destacando por suas propostas ricas e potentes, fruto do trabalho de Oscar Salas. O ClubeW deste mês propõe uma interessante mini vertical entre duas safras do Suyai, parte da gama premium da casa, composto por 40% de Cabernet Sauvignon, 40% de Cabernet Franc, 13% de Carignan e 7% de Carmenère. Há estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês. O 2007 levou 93 pontos de Robert Parker.
Visual rubi intenso, denso e opaco. No nariz, muita exuberância frutada, com ameixas, amoras e groselha, mirtilo em compota. Madeira muito bem integrada, com toques sutis de especiarias como pimenta do reino e louro. Há couro, também. Em boca, é potente e denso, cheio de frutas em compota. Final longo que remete a café e especiarias.
O 2009 é muito mais vigoroso, transbordante de frutas maduras, com um visual estupendamente opaco, sem qualquer halo. Caloroso e intenso, traz muita especiaria e madeira que não incomoda em momento algum. Altamente sedutor e potente.
Belíssimas propostas que combinam com maestria a expansividade e suculência da fruta com um uso consciencioso da madeira. Recomendados, ambos!
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domingo, 22 de junho de 2014

Urmeneta - Cabernet Sauvignon Río de Cobre - 2012

    A Viña Urmeneta, fundada em 1860, é uma das mais tradicionais vinícolas chilenas. Sua história se inter-relaciona com a exploração do cobre no país, já que seu fundador, José Tomás de Urmeneta y García, relevante figura política, era proprietário da mina de Pique de Tamaya. Em atenção a essa peculiaridade, a Urmeneta criou a gama Reserva Especial Río de Cobre, uma referência ao copioso metal que tanto fez pela economia chilena. Há estágio de um ano em barricas francesas, 30% das quais de primeiro uso.
    Visual rubi intenso, bastante obscuro, com discreto halo aquoso. No nariz, frutas negras e vermelhas explosivas acompanham uma mineralidade terrosa também evidente. Em boca, é direto e simples, mas muito agradável, com um frutado intenso que termina num misto de café e madeira. Uma proposta de cabernet robusto e estruturado, com taninos balanceados pelas frutas e álcool bem integrado. Vale a pena conhecer!
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terça-feira, 29 de abril de 2014

Santa Rita - Medalla Real Cabernet Sauvignon 2010

    Já provamos, há algum tempo, a linha de entrada da célebre Santa Rita. Hoje, nos cabe analisar essa proposta algo mais complexa, que provém de vinhedos de cerca de quinze anos de idade em Alto Jahuel e que passa 14 meses em barricas. A gama Medalla Real foi muito bem recebida pela crítica norte-americana, que, em diversas safras, foi além da mítica barreira dos 90 pontos.
    Visual rubi denso, opaco. No nariz, traz muita fruta densa e concentrada, especialmente amoras e ameixas. Há um tostado/amadeirado elegante e bem integrado, acompanhado de um toque de couro. Em boca, repete o perfil denso e frutado, com um final médio de café e madeira. Equilibrado e agradável, falta-lhe apenas uma pitada de complexidade para tornar-se um Vinhão.
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domingo, 27 de abril de 2014

Casas del Toqui - Rios de Chile Cabernet Sauvignon Reserva - 2012

    A Casas del Toqui é uma jovem bodega chilena, fundada em 1994 como uma espécie de joint venture entre o Château Larose Trintaudon, de Bordeaux, e produtores chilenos da região de Totihue. As instalações são amplas e modernas, incluindo uma cave com capacidade para 1.000 barricas, com controle de temperatura e umidade. A enologia está a cargo de Alfonso Duarte Piña e os principais vinhedos estão localizados nos vales de Casablanca e do Cachapoal, de onde vem esse Cabernet, que estagia por oito meses em carvalho.
    Coloração rubi, pouco translúcido. No nariz, temos muita madeira, algum herbáceo estilo menta e, no fundo, tímida e escondida por detrás das inúmeras camadas amadeiradas, alguma fruta. Em boca, é, novamente, unidimensional e passageiro. Monótono e muito carregado na maquiagem, cai no lugar comum do tal do “estilo internacional”, que tem sido, cada vez mais, usado pelos produtores como desculpa para engarrafar extrato de madeira em lugar de vinho.
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Meditações sobre a Pinot Noir: Calyptra Premium - 2012

    Continuando a saga pelos Pinot Noir chilenos, iniciada há pouco com o Ritual, da Veramonte, provamos hoje esta proposta da Calyptra, vinícola fundada pelo cirugião plástico José Zahri em 1989. Situada no Vale do Cachapoal, o “maestro” da Casa é o enólogo-tanoeiro François Massoc.
    Provar Pinots chilenos é sempre uma tarefa que suscita questionamentos filosóficos. Sabemos que, em teoria, a Pinot deveria dar origem a vinhos mais leves em termos de coloração e estrutura e apresentar toques delicados de frutas, flores ou até outras notas menos ortodoxas. De maneira tranquila e discreta, um Pinot deveria ser um vinho mais pensativo e mental, que conquista pelo charme e pela fala, mais do que pelos dotes físicos. Quantas vezes, contudo, nos deparamos por aí com Pinots escuros como petróleo, cheios de madeira, beirando os 15% de teor alcoólico? Certamente, devemos deixar que cada região expresse sua versão de cada uva, mas há limites. Não podemos pedir à Pinot que se comporte como se fosse Syrah.
    Foi com apreensão, portanto, que notei que esse Pinot passa nada menos que doze meses em barrica. Natural, em se tratando de um enólogo-tanoeiro, certo? Ainda pior, os bombásticos 14,5% de álcool denotavam fruta muito madura, muito corpulenta e cheia de açúcar.   
     Visual rubi intenso e vivaz, mas ainda translúcido. No nariz, muita fruta vermelha fresca com toques esverdeados herbáceos. Em boca é cheio de cerejas e framboesas. De tão intenso, parece que estamos mastigando um daqueles bolos de frutas com chantilly. Os níveis de açúcar estão realmente elevados, aqui. Um Pinot bombástico e desvirtuado, que precisa desesperadamente de equilíbrio e refinamento.
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pinot Noir à chilena: Ritual - Veramonte - 2011

    Já falamos por aqui sobre os bons vinhos feitos pela Veramonte, especialmente aqueles da linha Reserva. Esse Ritual, por sua vez, provém do vale de Casablanca, onde o clima mais frio e a influência marítima prestam-se bem ao cultivo da Pinot Noir e da Sauvignon Blanc. Esse Pinot chileno tem um bom histórico junto à crítica norte-americana, que vem enfatizando suas características frutadas e especiadas, muito mais diretas e sem rodeios do que os clássicos Pinots do Velho Mundo. Nesse sentido, o uso de madeira é intensivo, chegando a doze meses em carvalho francês, sendo 30% em barricas novas.  
    Visual rubi intenso mas muito translúcido, ao estilo Pinot. No nariz, uma interessante nota mineral/herbácea introspectiva, que evoca, por vezes, especiarias como alecrim. Frutas vermelhas estão escondidas ao fundo, acompanhadas por um tostado/esfumaçado. Em boca tem muita presença, trazendo mais frutas vermelhas suculentas estilo framboesa/cereja e demonstrando um estilo mais pesado de Pinot, mas sem chegar a incomodar. Uma interpretação de Pinot que tem seu lugar e sua ocasião.
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terça-feira, 22 de outubro de 2013

Um Riesling chileno: Pacifico Sur - 2012

    A Riesling é uma figurinha que não encontramos todos os dias por aí. Os bons alemães, tradicionais, são célebres por seus aromas florais explosivos e sua acidez cortante e precisa. São, também, caros e difíceis de encontrar. Talvez por isso o interesse que pode despertar um Riesling chileno, simples e acessível.
    Coloração discretamente dourado-acinzentada. No nariz, é muito intenso, trazendo diversas notas cítricas, melão e um toque esverdeado estilo vegetal/mineral. Em boca tem um início discreto, frutado, redondo, mas, ao final, pinica as laterais da língua com espetadas de bela acidez. Um vinhozinho bom e divertido, vale a pena conferir.
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domingo, 8 de setembro de 2013

Apaltagua Reserva - Chardonnay - 2011

   Há cerca dois anos, provamos a safra 2010 desse simples Chardonnay feito pela Apaltagua no Vale de Casablanca. Na ocasião, começávamos a descobrir o quão frescos e pungentes podiam ser os brancos dessa fascinante região chilena. Hoje, temos a oportunidade de provar a continuidade dos trabalhos da vinícola, sob a forma da safra 2011 desse Chardonnay que em nada costuma lembrar as pesadas e gordas interpretações dessa uva, tão comuns no Novo Mundo.
   Visualmente é muito claro, quase translúcido, puxando mais para o acinzentado do que para o dourado. No nariz, predominam os aromas cítricos (abacaxi, limão), acompanhados por pêra e melão. Em boca, como era de se esperar, é cheio de frescor e simplicidade, trazendo um frutado direto e recompensador. Boa escolha, por cerca de R$ 20.
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sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Chileno de alma densa: Anka 2008 - Quebrada de Macul

   Já provamos diversos dos vinhos produzidos por Jean-Pascal Lacaze na Viña Quebrada de Macul, famosos pelos belos rótulos e pelo perfil denso e potente. Hoje, a proposta traz uma atrativa e eclética combinação de 57% Cabernet Sauvignon, 16% Merlot, 15% Cabernet Franc, 7% Carménère, 4% Syrah e 1% Petit Verdot. O vinho tem sido bem recepcionado pela crítica, como demonstram os 91 pontos recebidos da Wine Enthusiast.
   Coloração rubi muito intensa, quase completamente opaca. No nariz, agradáveis notas vegetais/amadeiradas de pinheiros combinam-se a intensas frutas vermelhas e negras, como amoras, ameixas, groselhas. Algo de baunilha também aparece. Discretamente, notas de evolução como café e couro já começam a despontar. Em boca, é denso e equilibrado, novamente trazendo combinação de frutas maduras com elegante toque vegetal. Um vinho classudo, agradável e delicioso, altamente recomendado!
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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Santa Ema - Select Terroir Sauvignon Blanc - 2011

   Já provamos algumas das propostas básicas dessa interessante e tradicional casa chilena. Hoje, é a vez deste Sauvignon Blanc.
    Visual dourado acinzentado muito suave e translúcido. No nariz, saltam frutas brancas (pêra, melão) em profusão, acompanhadas da típica nota esverdeada/gramínea. Em boca, um vinho fácil e simples, talvez até um pouco “bobo” demais para um Sauvignon Blanc, já que falta algo de acidez e o açúcar é algo exagerado. De modo geral, um branco honesto e agradável, boa compra por cerca de R$ 24.
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