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terça-feira, 31 de maio de 2016

Faces Rosé - Lídio Carraro - 2015

Quase três anos se passaram desde que provamos o Faces, projeto da Lídio Carraro cujo escopo é mostrar o vinho brasileiro para o mundo durante os megaventos Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas 2016. Naquela ocasião, havíamos provado o Faces tinto e branco, mas o rosé não estava ainda disponível. Pois é bem ele que temos hoje. É interessante o fato de que, até o momento, o Faces ainda se encontra relacionado, no site da Lídio Carraro, apenas à Copa do Mundo, não havendo menção a essa edição “olímpica”. De qualquer forma, trata-se de um rosé feito a partir de um corte de 50% Pinot Noir, 35% Merlot e 15% de Touriga Nacional.
O visual é de um rosado leve, translúcido. No nariz, frutas frescas como cerejas e morangos dominam a cena. Em boca, é leve, discreto e refrescante, como seria de se esperar. Uma proposta descontraída, que cumpre seu papel de aplacar o calor das terras olímpicas brasileiras.

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domingo, 10 de maio de 2015

Novidade tupiniquim: Salton Paradoxo Cabernet Sauvignon - 2011

A Salton é uma das grandes do vinho brasileiro e tem uma das gamas mais completas de produtos no mercado, desde singelos sucos de fruta até propostas bem mais elaboradas. Recentemente, houve uma ampla reestruturação da linha, que incluiu a criação deste “Paradoxo”, com belíssimo projeto visual. Rolha de cortiça de qualidade, rótulo com efeito de alto relevo, uma bela garrafa, tudo cria um conjunto de qualidade para esta proposta intermediária da Salton, que passa seis meses em barricas de carvalho norte-americano.
Visual rubi claro, com pronunciado halo. No nariz, é bastante tímido. Frutas ocasionais se juntam a um claro tom amadeirado. Não há muito mais. Em boca é passageiro, usual, magro, sem muitos atrativos. Infelizmente, não foi desta vez para o Paradoxo.
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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Pequenas Partilhas Cabernet Franc - Aurora - 2011

    Já provamos por aqui o Millésime, proposta mais complexa da popular Aurora. Hoje, é a vez de seu irmão menor, este Pequenas Partilhas. Celebrado como bom custo-benefício nacional, espantou-nos o fato de nunca ter marcado presença por aqui. Além do Cabernet Franc, a linha conta, também, com um Carménère, muito mais difícil de se encontrar por aí.
    Visual rubi leve, ainda translúcido. No nariz, apenas um discreto frutado de cerejas e framboesas, sem grandes peripécias. Dá para identificar resquícios de couro e velharias em geral, o que mostra a passagem dos três anos que já completou. Em boca, é agradável e ligeiro, mas exagera um pouco no açúcar residual, resvalando perigosamente para o meio-seco. Bom, desde que não se espere muito. Por cerca de R$ 30, não é especialmente atraente.
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sábado, 28 de dezembro de 2013

O fim de ano e o Casa Valduga - Arte Tradicional Brut 2012

    O fim de ano é dominado pelos espumantes. Por mais que tentemos evitar o frenesi e manter a mente aberta para experiências diferentes, a efervescência borbulhante evoca nossos instintos festivos mais profundamente ocultos.
     Boa oportunidade, portanto, para conhecer mais da principal contribuição nacional para o mundo enológico. Nesse contexto, nada melhor do que ir atrás da Casa Valduga, talvez o nome de maior peso no que concerne a espumante brasileiro. Provamos hoje o Arte Tradicional, a proposta mais acessível da casa em termos de borbulhas. Ainda assim, “no papel” já temos potencial para uma excelente experiência, já que elaborado pelo método tradicional, com 60% de Chardonnay e 40% de Pinot Noir e doze meses de maturação em cave.

    Visual dourado pálido, discreto e borbulhante, com perlage abundante e fino. No nariz, as notas fermentadas estilo pão são intensas e claramente identificáveis, com frutas brancas compondo o fundo. Em boca traz pouca acidez e vivacidade, mas não deixa de ser interessante, com claro retrogosto frutado. Boa opção, por cerca de R$ 40.
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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Revisitando: Pizzato - Fausto Merlot 2011

    Já provamos, há algum tempo, essa linha de entrada da Pizzato. À época, degustamos a safra 2005, que já contava com seis anos de vida. O resultado não foi bom. Vejamos, então, como se saiu a encarnação 2011 desse gaúcho de Dois Lajeados. Há estágio de oito meses em carvalho francês, o que parece ser uma diferença em relação ao 2005, que contava com menor tempo em madeira.
        Visual rubi claro e translúcido. No nariz, são evidentes as notas de frutas vermelhas, mas não há muito mais além disso. A madeira é discreta. Em boca é monótono, unidimensional, curto e magro. Por cerca de R$ 30, dá para esperarmos um pouco mais. Nesse patamar, há até opções nacionais mais atraentes, como o Salton Volpi.
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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Essência e aparência: Casa Valduga - Arte Cabernet Sauvignon

    O rótulo é o cartão de visitas do vinho. O primeiro contato, visual, na prateleira do supermercado ou da importadora, é logo capaz de gerar percepções que dificilmente serão modificadas por aquele que prova. Não é à toa que degustações às cegas são profusamente promovidas. Como sói acontecer dentre humanos, há vinhos que gostam de aparecer, de chamar a atenção e, por isso, ostentam rótulos pomposos, não raro acompanhados por nomes e denominações igualmente requintados. Outros, reservados, usam roupas comuns, sem muito brilho. Às vezes, o estilo do rótulo (ou da roupa) corresponde efetivamente ao conteúdo. Em outros casos, o descompasso fica evidente e o amor à primeira vista, outrora tão fulgurante, dissolve-se à medida que se sucedem os goles. Este Arte, linha de entrada da Casa Valduga, é bom exemplo desta última hipótese.
    Coloração rubi leve, translúcida. No nariz, o perfil típico dos mais básicos vinhos de mesa: muito açúcar e um discreto frutado indistinto. Em boca, mais lampejos genéricos de açúcar e fruta. Ainda que perceptíveis, os esforços da vinícola de agregar valor e um certo requinte à proposta por meio, sobretudo, do rótulo e do nome são ineficazes. O produto, a essência, é absolutamente trivial e comum, mesmo que envolta em invólucro que se pretende rebuscado. Não surpreende que a Valduga integre a lista daqueles que, em tempos passados, pediram a adoção de salvaguardas contra a “invasão súbita” dos chilenos e argentinos de baixo custo. Efetivamente, ao preço cobrado por este “Arte”, é possível encontrar melhores opções provenientes desses países. 
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quinta-feira, 4 de julho de 2013

Uma noite com a Lídio Carraro e o vinho da copa!

   Em mais um dos já célebres eventos da Casa Rio Verde, tivemos a oportunidade de conhecer as propostas da Lídio Carraro, vinícola fundamental no recente processo de melhoramento gradual do vinho brasileiro. A autointitulada “vinícola boutique” produziu sua primeira safra em 2002 e, atualmente, graças a uma combinação de dedicação técnica e ampla divulgação, desfruta de amplo reconhecimento internacional. A filosofia da casa, com a qual me identifico plenamente, é a busca da máxima expressividade de uva e terroir. Esse objetivo levou à renúncia ao uso de madeira em toda a gama da vinícola, atitude a um só tempo louvável e corajosa, tendo em vista como o gosto madeirístico exacerbado está difundido na América do Sul. Surpreendentemente, como veremos, a falta de madeira não faz falta alguma, nem mesmo nas propostas mais estruturadas, destinadas a longos períodos de estágio em garrafa. Os simpáticos representantes da vinícola, o diretor comercial Juliano Carraro e a enóloga Mônica Rossetti, ressaltaram que não nutrem nenhuma desconfiança inata ao uso de madeira e que optaram por essa filosofia por preferência pessoal. Aos múltiplos prêmios e reconhecimentos internacionais obtidos, juntou-se, recentemente, o licenciamento da vinícola pela FIFA para produzir o “vinho da copa”. Trata-se do projeto Faces, que analisamos a seguir:


Faces Branco 2012 - Temos aqui um corte em proporções iguais de Chardonnay, Moscato e Riesling Itálico. Segundo Mônica, trata-se das três uvas brancas mais representativas do sul do Brasil. Visual levemente dourado, pálido. No nariz, uma belíssima explosão refrescante de flores com alguma fruta branca discreta ao fundo. A exuberância mostrada nos aromas infelizmente não continua em boca, onde pareceu algo perdido, sem muita expressão, leve e tranquilo por demais. Talvez uma pitada a mais de Chardonnay lhe fizesse bem. Ainda que o descompasso entre nariz e boca seja evidente, é um bom branco para beber descompromissadamente.



Faces Tinto 2012 - Esse é, talvez, um dos projetos mais curiosos de que já tive notícia recentemente. Uma vez que, em um time de futebol, temos onze jogadores, Mônica resolveu conjugar onze diferentes uvas para criar uma espécie de Chateauneuf-du-Pape tupiniquim. Como se não bastassem as onze uvas, imagine que uma delas é a Teroldego, variedade não muito conhecida nem mesmo em sua terra natal, a Itália. A experiência já vale só pelo pioneirismo! Segundo Mônica, a Merlot e a Cabernet Sauvignon dominam o blend, com as demais uvas contribuindo com nuances aromáticas e estrutura em boca. No visual, um rubi opaco, impenetrável. No nariz, temos um grande baralho aromático: baunilha, violetas, frutas negras (ameixa, groselha preta), algo herbáceo estilo grama. Muito interessante e, ao mesmo tempo, difícil de descrever com precisão. Em boca é agradável, corpo médio, frutado e redondo, sem maiores complicações. Muito interessante, certamente tem potencial para deixar confusos muitos daqueles que têm ideias fixas sobre tintos brasileiros.

 

Dádivas Chardonnay 2012 - Já tinha ouvido falar muito bem sobre essa linha Dádivas e pude, finalmente, conhecê-la de perto. Coloração intensamente dourada-amarelada. No nariz, muita fruta branca (pêra, maçã-verde) madura, polpuda e carnuda. Por vezes, algo de maracujá também aparece. Em boca, repete todo o comportamento e o perfil aromáticos: um vinho gordo e suculento, com um bocado de açúcar residual. É como mastigar uma salada de frutas brancas com mel. Uma delícia, já que não falta acidez para contrabalançar o açúcar. Um belíssimo exemplo de como é possível fazer Chardonnays corpulentos sem recorrer a longos períodos em madeira.


Dádivas Pinot Noir 2012 - A Pinot sempre foi, e acredito que sempre será, um grande mistério para mim, já que tive pouquíssimas oportunidades de provar bons vinhos feitos com ela. Trata-se de uma variedade que simplesmente não conheço bem. De todo modo, tive a oportunidade de expandir um pouco mais minha bagagem pinorística com este Dádivas, rapidamente incluído pela Mônica nos trabalhos degustativos. Visual rubi bem leve e translúcido, que reflete o jeito Pinot de ser. No nariz, mudava rapidamente a cada vez que eu o provava. Ora estava vegetal, lembrando menta, ora frutado, com algo de cereja, ora um certo couro aparecia. Fiquei confuso. Em boca pareceu menos misterioso, trazendo calma e pacificamente frutas vermelhas. Leve e agradável, sem parecer um Syrah nem desaparecer feito água, como muitos Pinots mal-feitos.

Agnus Cabernet Sauvignon - Já havia provado essa interessante proposta de entrada da Lídio Carraro. Visual rubi intenso, quase completamente opaco. No nariz temos frutas negras maduras e especiarias (pimenta do reino). Segundo Juliano e Mônica, o objetivo aqui foi evitar o excesso de pirazinas, substância responsável por conferir ao Cabernet Sauvignon o aroma verde de pimentão. Realmente, não havia nada de exagero nesse sentido. Em boca, tem corpo médio, trazendo a esperada expressão frutada. Taninos macios e final médio. Bom vinho.    


Elos Touriga Nacional/Tannat 2009 - Subindo a cadeia hierárquica da Lídio Carraro, encontramos esse Elos, projeto que visa a unir duas variedades de uvas. Segundo Mônica, o Cabernet Sauvignon/Malbec é a proposta mais tradicional, enquanto o Touriga Nacional/Tannat é uma aposta mais inusitada. Provamos este último. Visual estupendamente opaco, sem qualquer halo aquoso. No nariz, um caminhão de notas especiadas como louro e alecrim juntam-se a violetas e solo de floresta. Muito vegetal/terroso, traz, por vezes, algo de musgo e couro. Em boca, muita fruta negra combinada a café, é denso, com muito corpo e estrutura. Final longo, com taninos bem amaciados. Deixando resíduos e manchando toda a taça, este Elos mostra o quão impressionante pode chegar a ser um trabalho sem absolutamente nada de madeira!


Grande Vindima Merlot 2006 - Ao final, não poderia faltar esta célebre linha da Lídio Carraro, responsável por grande parcela de seu sucesso internacional. Elaborado apenas em safras realmente merecedoras, o Grande Vindima vem em três versões: um blend de Merlot, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat, denominado Quorum; um Tannat e um Merlot, que provamos. No visual, uma combinação de rubi intenso e opaco, no centro, com claros halos alaranjados, que denotavam evolução. No nariz, um complexo perfil com frutas secas, couro, ferro, ferrugem e um indecifrável elemento que conjugava notas terrosas, algo como uma caverna com musgos e minério. Em boca, traz múltiplas camadas de frutas como ameixa e amora junto a café e couro. Final longo, macio, agradável e equilibrado.  

Mais uma vez, só resta mesmo agradecer ao pessoal da Casa Rio Verde por mais uma oportunidade de aprender com um produtor nacional de primeira linha!

Toda a família Lídio Carraro



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sábado, 18 de maio de 2013

Um Merlot emblemático: Salton Desejo - 2007

   Já provamos por aqui alguns bons tintos nacionais de gamas mais elevadas. O RAR da Miolo, por exemplo, deixou ótimas lembranças. Sempre tive curiosidade de conhecer o Desejo e o Talento, os vinhos mais badalados da Salton. Faltava, contudo, coragem para enfrentar os preços elevados. Este Desejo é expressão emblemática do sucesso da Merlot em terras brasileiras. Há estágio em barricas de carvalho francês e norte-americano por doze meses. Depois, mais um ano em cave antes de seguir para o mercado.  
    Coloração rubi leve, translúcida, bem ao estilo Merlot. No nariz, muita coisa acontecendo: frutas negras em compota, especiarias estilo pimenta do reino, madeira, tabaco, um toque vegetal estilo grama. Absolutamente composto e denso. Em boca mostra muito corpo, é equilibrado e suculentamente frutado. Final longo que lembrou café. Um baita vinho, mais uma prova de que é possível fazer tintos de alto nível no Brasil. Na faixa dos R$ 60-80, contudo, a competição é ferrenha e vem, em muitos casos, de propostas nacionais.
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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Borbulhas rosadas em alta: Casa Valduga - Reserva Blush 2010

    É quase impossível falar sobre espumantes brasileiros sem citar a Casa Valduga. A vinícola, estabelecida no Vale dos Vinhedos ao final do século retrasado por imigrantes italianos, foi uma das grandes responsáveis por apresentar ao mundo o potencial tupiniquim na seara das borbulhas. São centenas de prêmios obtidos não só por espumantes, mas também por tintos Merlot e Cabernet Sauvignon. Os empreendimentos Valduga incluem um extenso portfólio vinícola, composto pelos famosos espumantes  e, até mesmo, Malbecs feitos na Argentina. Há, também, um grande complexo para enoturismo em Bento Gonçalves, com restaurantes e pousadas.
    Por algum motivo, não havíamos, ainda, provado as criações Valduga. Esse simpático espumante rosado, um corte de 70% Chardonnay e 30% Pinot Noir, mostrou-se convidativo. A vinificação é pelo método tradicional e há estágio de 25 meses em cave para maturação.
    Belo visual róseo pálido, com perlage não particularmente fino, mas denso e persistente. No nariz é bastante discreto, mostrando apenas alguns toques de fermentação, estilo pão, e um leve frutado cerejístico. Em boca agrada mais, é vivo, altamente refrescante e frutado, explodindo morangos e cerejas. Boa opção de espumante rosado, ainda que o preço possa ser, por vezes, exagerado.
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domingo, 4 de março de 2012

A fina flor da Aurora: Millésime - Cabernet Sauvignon - 2008

    A Cooperativa Vinícola Aurora é um colosso da vinicultura nacional. Basta dizer que o complexo produtivo, integrado por mais de 1100 famílias, dispõe de um “vinoduto” de 4,5 quilômetros de extensão, para facilitar o envio do vinho entre as unidades, dispensando, assim, o uso de caminhões-pipa. A maior parte da produção é de vinhos simples, geralmente suaves. As marcas Sangue de Boi e Country Wine, por exemplo, fazem parte do portfólio da Aurora. Mas nem tudo é vinho de mesa por lá. Este Cabernet Sauvignon Millésime é o topo da casa, elaborado apenas em anos supostamente excepcionais. A safra 2008 é a quinta edição. As outras foram em 1991, 1999, 2004 e 2005. O vinho passa por estágio de dez meses em carvalho francês e americano, seguido por descanso em garrafa de um ano. A expectativa por prová-lo era grande, já que sempre ouvi comentários elogiosos a seu respeito. Custou por volta de R$40.
    Visual de um rubi bem intenso, mas já com algumas nuances de ocre, denotando certa evolução, o que é interessante num vinho de apenas quatro anos. No nariz, é contido e fechado, mais para o estilo velho mundo, com frutas secas, ferrugem e couro. Em boca, mostra pouco corpo, pouca substância, é passageiro, discreto e magro. Lembra uma folha em branco. Não se comporta como um vinho de categoria superior.
    É triste, mas a vida enológica também é feita de decepções. Às vezes esperamos certa coisa de um vinho e ela simplesmente não está lá. A experiência degustativa, por mais objetivos e precisos que tentemos ser, é carregada de subjetividade. Talvez seja uma garrafa ruim, um dia inadequado, alguma confluência astrológica negativa,  mas o fato é que o objetivo, aqui, é relatar minhas experiências. E essa não foi boa. O RAR da Miolo, por exemplo, é um brasileiro da mesma faixa de preço e incomparavelmente melhor.
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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Precisamos de mais brasileiros como este: Salton Volpi - Cabernet Sauvignon - 2009

    Os Volpi da Salton construíram ao longo dos anos sua reputação de vinhos bem feitos e acessíveis. Trata-se de um segmento no qual os brasileiros tem uma certa dificuldade de inserção frente aos argentinos e chilenos. A linha, quanto aos tintos, é composta por um Merlot, um Pinot Noir e um Cabernet Sauvignon, que provamos hoje. Curiosamente, nunca cheguei a ver os outros dois à venda. Trata-se, na verdade, de um interessante corte: 85% Cabernet Sauvignon e o restante dividido igualmente entre Tannat, Merlot e Cabernet Franc. Há estágio de seis meses em barricas de carvalho norte-americano e mais seis meses de descanso em garrafa.
    Visual rubi bem leve e translúcido. No nariz, há agradável expressão frutada, acompanhada por uma clara influência de madeira: dá para sentir frutas negras como cassis e amora e até uma certa baunilha. Em boca é mais discreto, mas não deixa de ser razoavelmente estruturado e saboroso. Persistência curta e álcool controlado.
    Eis aí um bom brasileiro, com atributos para enfrentar os estrangeiros da mesma faixa de preço (cerca de R$ 25).
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Casa Perini - Merlot - 2008

    A Vinícola Perini é conhecida dos brasileiros pela marca Jota Pê, uma homenagem de Benildo Perini a seu pai, José Perini. A casa também produz vinhos um pouco mais ambiciosos, como uma linha de espumantes e outra de varietais básicos, vendida por coisa de vinte reais. É interessante notar que há também versões com uvas pouco usuais no Brasil, como Ancellotta, Barbera e Marselan. Provamos a mais tradicional Merlot.
    Visual rubi intenso, mas bem transparente, tudo ao estilo Merlot. No nariz temos muita fruta vermelha fresca e só. Em boca, como era esperado, tem pouca estrutura, é leve, simples e fácil de entender, trazendo um discreto frutado com final curto. Os baixos 12% de álcool não se fazem perceber.
    É um bom vinho, mas franciscanamente simples. O problema é que já temos oceanos de chilenos e argentinos com estas exatas características custando a mesma coisa ou até menos, como este e este.
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sábado, 4 de fevereiro de 2012

Um brasileiro de tirar o chapéu: RAR - Cab. Sauv./Merlot - 2006

    O empresário Raul Anselmo Randon, além de se dedicar ao Conselho de Administração do Grupo Randon, também cultiva seu amor pelos vinhos, queijos e maçãs. Seus vinhedos estão localizados no município de Muitos Capões, no Rio Grande do Sul e, assim que são colhidas, as uvas são transportadas e vinificadas pela Miolo. O corte consiste em 60% de Cabernet Sauvignon e 40% de Merlot. Há estágio em barricas de carvalho por um ano.
    A coloração é de um rubi absolutamente impenetrável, mesmo depois de seis anos. Nem sinal de evolução. No nariz, contudo, encontramos todos os traços de um vinho que envelheceu bem: uma profusão de potentes frutas negras estilo tinta contrastam com toques de ferrugem, couro e tabaco. Elegante. Muito redondo em boca, é impressionante como ainda parece jovial, com uma explosão de mirtilo, cassis e amora. Taninos bem macios, uma delícia de tomar. Os 14% de álcool nem se fazem notar. Final gostosamente prolongado.
    Pelo preço que paguei por esta garrafa, cerca de R$ 29 (creio que era a última da loja), é um negócio da china. Em breve pesquisa, vejo que costumam cobrar cerca de R$ 50 por ele. Vale! Um Vinhão!
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domingo, 23 de outubro de 2011

Um Petite Sirah do Vale do São Francisco, pelas mãos da Botticelli!

    Já conhecemos os tintos que a Miolo produz no Vale do São Francisco. Gosto do vinho básico deles, um Syrah super cafezento, divertido e despretensioso. A uva Petite Sirah nasceu do cruzamento entre a Syrah e a Peloursin. Hoje, faz sucesso nos Estados Unidos. Quando poderia eu esperar um Petite Sirah nordestino? Quando vi, não tive dúvidas!  
    Este vinho compõe a linha de entrada da Botticelli, que conta também com um Tannat e um Cabernet Sauvignon. Ao que parece, não há passagem por madeira.
    Coloração de um rubi bastante forte, mas não completamente opaco, com halo aquoso bem presente. Nas bordas dá para perceber levíssimos sinais de evolução (alaranjado). No nariz é muito discreto, com apenas alguma fruta vermelha: cereja/framboesa. Há também uma nota que lembra carne crua, não consegui identificar ao certo. Em boca é totalmente unidimensional, simples por demais, fantasmagórico, sem corpo, realmente nada digno de nota, uma folha em branco. Algum excesso de álcool também.
    Já experimentei o Cabernet Sauvignon da Botticelli há muitos anos e não me lembro de ter sido ruim. Mas esse Petite Sirah precisa melhorar muito. De qualquer forma, valeu pelo pioneirismo!
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sábado, 10 de setembro de 2011

Miolo Terranova Reserve C.S./Shiraz - 2008

    Sempre tive certa simpatia pelo Terranova Shiraz, elaborado pela Vinícola Ouro Verde, no Vale do São Francisco, para a Miolo. É um vinho barato e diferente, como observamos aqui. Hoje, provamos seu irmão mais velho, da linha Reserva, que é, na verdade, um corte meio a meio entre Cabernet Sauvignon e Shiraz. Houve estágio de oito meses em carvalho americano.
    Coloração rubi muito intensa, quase completamente opaca, com discreto halo aquoso. De início estava bastante fechado, mas aos poucos revelou um perfil aromático bastante semelhante ao do Terranova básico, com uma nota dominante de café e um certo frutado indistinto ao fundo. Interessante como esses vinhos do São Francisco cheiram a café! Em boca é meio vazio, sem muita expressão, monótono. Taninos bem vivos e álcool sobrando um pouco.
    O básico é melhor. Este custa cerca de R$ 22.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Boa opção nacional: Miolo Reserva - Merlot - 2009

    A linha Reserva é um dos carros-chefe da Miolo, posicionada logo acima do imensamente popular “Seleção”. Escolhi a Merlot, dada sua posição de potencial uva tinta “nacional”. Tanto o site quanto o contrarrótulo indicam passagem por madeira, mas não especificam maiores detalhes.
    Vale notar o uso de tampa de rosca, pelo menos na meia-garrafa. Visual rubi bem vivo e intenso, quase completamente opaco. No nariz tem boa expressão de frutas frescas, lembrando ameixa, framboesa e amora. É clara a influência do estágio em madeira, que felizmente é equilibrada e serve, aqui, para compor o quadro geral de aromas e sabores. Em boca tem boa presença e estrutura mas é bastante simples, com um certo amargor que se prolonga por um curto final. Taninos muito discretos, como é característico da Merlot.
    Uma boa opção nacional, que certamente poderia custar menos do que os cerca de R$ 30 que normalmente pedem pela garrafa de 750ml. Um dos seus adversários diretos, o também brasileiro Volpi, da Salton, sai por pouco mais de dois terços desse valor.
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sábado, 18 de junho de 2011

Pau para toda obra: Miolo - Seleção - 2009

    Este é provavelmente o mais onipresente e conhecido vinho nacional. Em qualquer estabelecimento que venda algum tipo de bebida alcoólica, por mais humilde que seja, estará ele lá, com todo o ar da graça de super sucesso de vendas e carro-chefe da gigante Miolo. Em qualquer restaurante que ofereça vinhos estará ele lá, novamente. É como um Fusca, ou um Uno, o primeiro automóvel, aquele no qual você aprende a dirigir, pau para toda obra.
    Este Seleção já teve em sua composição Pinot Noir e Alicante Bouschet, mas hoje resume-se ao tradicional Cabernet Sauvignon e Merlot. 10% dele passa por carvalho.
    Coloração rubi leve e transparente. No nariz é meio tímido de início, mas depois aparecem frutas vermelhas (cereja) agradáveis, acompanhadas por uma curiosa nota de terra/esterco (não se assuste, não é ruim). Em boca é leve, frutado e fácil, desaparecendo em poucos segundos. Taninos macios e álcool em ordem.
    Como esperado, um vinho muito simples, sem defeitos mas também sem nada de mais. Vale só se custar abaixo dos R$ 15-16. 
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Um Merlot de meia-idade: Fausto - Pizzato - 2005

    A família Pizzato, de origem italiana, começou a engarrafar e vender seus próprios vinhos apenas em 1999, apesar de já ter, à época, um longo retrospecto no cultivo da uva. Doze anos depois, o empreendimento se revela um sucesso: os vinhos caíram na graça dos brasileiros em razão do bom custo/benefício.
    Já há algum tempo eu queria experimentar essa linha Fausto, a mais básica da casa, produzida em Dois Lajeados, no Rio Grande do Sul. Encontrei apenas a safra 2005 no Super Nosso, por coisa de R$ 28, 29. Seis anos de supermercado são uma judiação sem fim para qualquer vinho, então sejamos cautelosos. Uma pequena parcela (10%) deste varietal Merlot passa por “breve passagem em barris de carvalho americano”.
    Coloração rubi intensa e impenetrável, com discreto halo aquoso. No nariz temos frutas negras (ameixas, amoras) em evidência circundadas por alguma ferrugem terrosa enigmática. Por vezes deu para sentir também alecrim. Bem tímido, tanto no nariz quanto em boca, onde se mostra pouco estruturado e muito leve, praticamente sem taninos. O álcool não incomoda. Um bom vinho, que parece já ter passado do ponto. Vale provar uma safra mais recente.
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terça-feira, 7 de junho de 2011

Artistas Mineiros Corte Francês Gran Reserva - 2006

    Alguns outros vinhos da coleção Artistas Mineiros do Verdemar (em parceria com a Miolo) já estiveram por aqui e surpreenderam pela excelente qualidade e baixo preço. Provamos o ótimo corte francês na modalidade Reserva e o ainda melhor corte ibérico Gran Reserva. Suspeito que estes vinhos estejam vindo de alguma das linhas mais gabaritadas da Miolo.
    Hoje é a vez do corte francês (Cab. S./Merlot) Gran Reserva. Não há informações técnicas no rótulo nem na internet. Quem souber que me avise!
    Coloração rubi intensa e escura, já demonstrando a idade nos leves tons de granada pela borda. No nariz se mostra já bem cansado e evoluído, com muita ferrugem, couro, terra e frutas secas. Parece ter passado um bom tempo em madeira. Em boca é mais frutado, com ameixas e amoras em compota. Denso e estruturado, deixa um pouco de álcool sobrando num final curto. Um bom vinho, mas que parece já ter passado do ponto. Não agradou tanto quanto os outros. Saiu por R$ 24,90.
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domingo, 29 de maio de 2011

Um Shiraz arretado: Miolo Terranova - 2009

    A vinícola Ouro Verde é o tentáculo nordestino do Miolo Wine Group. Do município de Casa Nova, na Bahia, sai toda a linha de produtos Terranova, que inclui brancos, espumantes, vinhos de sobremesa e claro, este Shiraz básico, popular representante do terroir do Vale do São Francisco.
     Visual rubi bastante intenso, mas ainda não totalmente opaco. No nariz, o que logo chama a atenção é a quantidade de café e pimenta do reino que temos aqui. Esses dois componentes dominam sobre as tímidas notas de frutas negras que ficam ao fundo. Na boca é redondo, expressivo e simples, trazendo de novo muito café, amargando no final. Taninos domados e álcool bem integrado. Já tinha provado este vinho na safra 2008 e, mais uma vez, surpreende pela excelente relação qualidade-preço. Traz mais concentração, sabor e diversão do que a maioria dos vinhos abaixo de R$ 20.
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