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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Scaia Corvina - Tenuta Sant`Antonio - 2013

A Tenuta Sant`Antonio vem arrancando elogios da imprensa italiana há muitos anos. Seus Amarones e Valpolicella Ripasso frequentam as páginas do Gambero Rosso e, não raro, faturam o selo “Tre Bicchieri”. Criada em 1989 a partir da iniciativa dos quatro irmãos Castagnedi, a casa busca reduzir a intervenção humana no processo de vinificação por meio de práticas como redução do uso de implementos químicos e recurso a compostos orgânicos. Hoje, provamos este varietal Corvina, que não passa por estágio em madeira. Interessante perceber o detalhe da rolha de vidro, a primeira com que nos deparamos.
Visual rubi ocre com claros sinais de evolução. Não aparenta apenas 3 anos de idade. No nariz, é muito concentrado em notas adocicadas de alcaçuz, baunilha e melaço. Em boca, traz belas combinações dos tons açucarados com frutas negras. Interessante pensar se a evolução rápida não decorre da opção pela rolha de vidro… O que acham?


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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Cent`Are Nero d`Avola - Cantine Pellegrino - 2013

A Pellegrino foi fundada em 1880 pelo notário Paolo Pellegrino. A história da casa está intimamente associada à vinicultura siciliana e, de modo especial, ao vinho Marsala. Seis gerações se sucederam no comando do empreendimento, que hoje produz uma variada gama de vinhos, incluindo este Cent`Are. Trata-se de um varietal Nero d`Avola que não passa por madeira, produzido sob a genérica IGP “Terre Siciliane”.
Coloração rubi muito leve e translúcida. No nariz, é muito discreto, trazendo pouco mais do que lampejos ocasionais de frutas vermelhas combinadas a especiarias difusas. Em boca, revela-se, mais uma vez, um bom vinho para a terça-feira à noite, sem falhas ou defeitos, mas também desprovido de qualquer elemento que desperte a curiosidade e a atenção. Geralmente habita a faixa de R$ 30. E não deve mesmo superar essa marca!

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sábado, 18 de julho de 2015

Degustando com Manuel Bonomo, da Civielle!

Todos os detalhes do Lago di Garda!
Quando pensamos em Lombardia, vinho talvez não seja a primeira coisa que nos vem em mente. Provavelmente Milão, com sua badalada condição de capital da moda, ou mesmo os belíssimos recintos turísticos na beira do Lago de Garda, onde alemães vêm procurar o sol que lhes falta um pouco mais ao norte, nos ocorram mais facilmente. Pois é importante lembrarmos que muito vinho é feito na Lombardia, e com cada vez mais qualidade. E é justamente nas proximidades do celebérrimo Lago di Garda que encontramos um dos produtores mais interessantes da Lombardia. A Civielle vem se destacando com belíssimas interpretações da Groppello, uva autóctone da região. Os vinhos são importados com exclusividade para o Brasil pela Casa Rio Verde, que apresentou a mais recente importação em evento que contou com a participação do simpático Manuel Bonomo.

Aromas...
  Em rápida excursão pelo terroir e pelos vinhos da casa, que em breve mudará seu nome para Pergola, Bonomo mostrou todo o amor e paixão que sente pelo que produz em sua terra natal. Conduzindo verdadeira aula sobre as especificidades da região do Garda e das uvas tradicionais da região, Bonomo encanta a todos por sua receptividade e alegria. A Casa é entusiasta da viticultura orgânica e conta com certificado desde 1979.
 
A degustação teve início com o branco Carpione, que consiste em um corte de diversas uvas autóctones. São elas: Trebbiano di Lugana, Tocai di San Martino, Riesling Renano e Riesling Italico. Trata-se de um vinho muito fresco e intenso, de bela coloração dourada. No nariz, é muito aromático, com uma bela mistura de toques florais e de frutas tropicais. Em boca, tem boa acidez e certa mineralidade.
 




Em seguida, deparamos com um belíssimo rosé, ou “chiaretto”. Composto por Marzemino, Barbera e Sangiovese, a técnica do “vinho de uma noite” (rápido contato com as cascas) dá origem a vinho muito elegante, que foge aos tradicionais aromas de frutas vermelhas frescas para mostrar um intenso perfume de baunilha num fundo herbáceo. Intrigante e etéreo. Um dos melhores da noite.
 






Os tintos começam com o Trepió, um corte composto, predominantemente, por Groppello. O nome provém do tamanho médio dos vinhedos da casa na região de Valtenesi, de onde vêm as uvas para o vinho. Três “pió” correspondem a cerca de um hectare. Com um visual rubi claro, mostrou intensas notas frutadas estilo geleia. Alguma ferrugem aparece. Em boca é muito redondo, com taninos macios.
 





O Eusebio compõe a gama que goza de certificado de cultivo biológico. As uvas são colhidas manualmente. O predomínio no corte é, de novo, da Groppello. Há estágio de um ano em aço e de três meses em garrafa. Com visual bastante escuro e opaco, traz, no nariz, toques vegetais, abaunilhados e minerais. Em boca é macio, dócil e agradável.
 





O Elianto, também biológico, é um varietal Groppello que mostra, no nariz, um perfil muito condimentado, cheio de especiarias. Em boca traz frutas como cereja e ameixa, com discretos toques de canela e seiva.
 







O BROL é o grand cru da Casa. Trata-se de um corte de 50% Groppello, 30% Marzemino, 10% Sangiovese e 10% Barbera. Há estágio de 12 a 18 meses em carvalho, seguido de período de descanso em garrafa. No nariz, é poderoso, com muita fruta negra em compota com reflexos tostados, de couro e especiarias. Denso e majestoso.







Mais uma vez, nossos agradecimentos ao pessoal da Casa Rio Verde, que sempre nos recebe com carinho e atenção. Ao Manuel, desejamos sucesso na ambiciosa empreitada de mostrar ao mundo as joias enológicas da Lombardia!

Um belíssimo encontro!

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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Friuli surpreendente: Fantinel Selezione di Famiglia - Cabernet Sauvignon - 2012

O Friuli-Venezia Giulia é uma região italiana que merece cair nas graças do consumidor brasilero. Escondidos nos pés dos Alpes, os vinhedos do Friuli vêm produzindo excelentes brancos, internacionalmente reconhecidos por sua pureza e vivacidade, sem a nefasta influência de madeira em exagero. Ótimos resultados, contudo, vêm sendo obtidos também com os tintos, especialmente de Merlot.
A família Fantinel é responsável por parte significativa do sucesso do vinho da região. Fundada há quase meio século pelo pioneiro Mario Fantinel, a casa é comandada atualmente pela terceira geração e controla 300 hectares de vinhedos distribuídos por três DOCs da região. Este Cabernet Sauvignon passa por estágio de seis meses em tradicionais barris de carvalho eslavo.
Visual rubi denso e opaco. No nariz, um belíssimo toque de intensas frutas vermelhas, junto a um perfume exuberante de violetas. Há madeira, ao longe, muito bem integrada. Em boca, perfeito equilíbrio entre expressividade frutada, taninos e acidez, como raramente se vê nos exemplares oriundos do Cone Sul. Intenso, delicado e expressivo. Belíssima opção de Cabernet para sair da mesmice dos chilenos e argentinos.
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sábado, 28 de março de 2015

Sangiovese Sburoun - Braschi

A Emilia-Romagna é o centro gastronômico da Itália. O Prosciutto di Parma, o Aceto Balsamico di Modena e o Parmigiano Reggiano desfilam nas vielas de Bologna, “la grassa”, temperados pelas risadas e conversas animadas dos estudantes de Bologna, “la dotta”, vindos dos quatro cantos do mundo para aprender na mais antiga universidade da Europa. Apesar desse entusiasmante panorama cultural e gastronômico, os vinhos da Emilia-Romagna ainda são completamente ofuscados pelos vizinhos de maior fama. Contra essa vergonhosa condição, lutam alguns produtores mais interessados em qualidade do que em quantidade, como a Cantina Braschi. A casa produz vinho desde 1949, nos arredores da cidadela de Cesena, no sudeste da Emilia-Romagna.

Coloração rubi muito intensa, opaca, tendente ao preto. No nariz, elementos diferentes, como um frescor mineral/herbáceo que remete a pedras molhadas com toques de louro. Sim, bizarro. Há, também, reflexos de evolução estilo ferrugem junto a tabaco e frutas negras. Em boca, tem o estilo sangiovese de ser, com boa acidez e potente carga tânica, amplamente equilibrada pela expressão frutada. Muito interessante e diferente do que se costuma ver por aí todo dia. Uma das regiões italianas que simplesmente não recebem a atenção que deveriam.
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domingo, 4 de janeiro de 2015

Supertoscano contido: Carpineto - Dogajolo - 2012

A Carpineto nasceu na década de 1960, fruto da parceria entre Giovanni Sacchet e Antonio Zaccheo. Enólogos apaixonados pela DOCG Chianti Classico, eles aproveitaram a onda de renovação do Chianti durante os anos 60 e 70 e se propuseram a elaborar vinhos refinados e potentes por meio de técnicas modernas. Um dos resultados é este Dogajolo, que almeja ser um “jovem” supertoscano. Trata-se de um corte de 70% Sangiovese e o restante de uma mistura indeterminada entre Cabernet Sauvignon e outras variedades. Atenção para o belíssimo rótulo!
Coloração rubi bastante translúcida e leve. No nariz, as notas especiadas chamam a atenção. Louro, alecrim e pimenta do reino fazem sua aparição. Há fruta vermelha, mas ela está no fundo e acompanhada por madeira e certa mineralidade. Em boca traz boa acidez e taninos robustos, em perfeito equilíbrio com a expressão frutada. Uma excelente proposta, que não resvala para fórmulas fáceis e previsíveis do que se poderia considerar um supertoscano.
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domingo, 7 de dezembro de 2014

Um Barbera meditativo: Ressia - 2002

Esta Magnum de Barbera d`Alba da brilhante Ressia estava há meses habitando a adega, no aguardo de uma ocasião especial para ser aproveitada da maneira adequada: lenta e vagarosamente. Os severos danos ao lacre de cera e o estado já algo degradado da rolha indicavam que o melhor era dar logo um jeito nessa que prometia ser uma interessantíssima garrafa. A Ressia é uma pequena cantina familiar capitaneada por Fabrizio Ressia, que se especializa em elaborar excelentes Barbaresco, Dolcetto e Barbera no vinhedo Canova, em Neive, no Piemonte.
Coloração predominantemente ocre, com alguns reflexos de rubi, muito translúcida e leve. No nariz, surpreendem as notas de evolução, que, apesar de estarem presentes em profusão, não são a única faceta deste senhor de doze anos de idade. Há, também, toques terrosos e de frutas secas, além de lampejos ocasionais  de nozes e baunilha. Em boca, ainda está bem vivo, com taninos ativos e acidez bastante presente, trazendo sabores frutados junto a toques de chocolate. Longo final, com persistência de café. Um belíssimo exemplo do que é possível fazer com essa fascinante e tão subestimada uva. Um vinho para se meditar e prosear longamente...
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domingo, 18 de maio de 2014

Um Nero d`Avola acessível e bem-feito: Tasàri - Caruso & Minini

    O renascimento da vinicultura do sul da Itália é um dos mais fantásticos fenômenos da história vinícola. Deixando para trás a tradicional produção massificada, potencializada por quantidades abundantes de sol e calor, diversos produtores locais resolveram investir em qualidade e apresentar ao mundo as virtudes da região, rica em interessantíssimas uvas autóctones. A Sicília foi protagonista destacada desse processo, concentrando seus esforços em sua uva-símbolo, a potente e robusta Nero d`Avola.
   Ainda que a cidade de Marsala seja internacionalmente reconhecida pelo vinho fortificado homônimo, há muito mais que se descobrir por lá. A Caruso e Minini, por exemplo, vem produzindo belos exemplares de Nero d`Avola. Este que provamos hoje é uma proposta simples de Nero, que não passa por madeira e que conta com uma pitada de Merlot.
    Visual rubi intenso, mas sem chegar a ser opaco. No nariz, um belo combinado de frutas frescas como ameixa, cereja e mirtilo com uma essência mineral-terrosa obscura, de difícil descrição. Alguma especiaria, do gênero louro, também se faz presente. Em boca é simples, frutado e redondo, agradável. No fim das contas, um vinho rústico, direto e potente, bem ao estilo siciliano. Vale a pena, já que não custa mais de R$ 30.
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sábado, 4 de janeiro de 2014

Novas fronteiras: Verdeca - Feudi di Guagnano

    Talvez o mais fascinante aspecto da enologia seja o fato de que, por mais que nos dediquemos à nobre tarefa de conhecer as mais diversas castas de uvas, muito provavelmente jamais chegaremos a prová-las todas. Como viajantes interestelares perdidos no fascinante universo da ampelografia, nossa única esperança é seguir de uva em uva, dia após dia.
    Foi imbuídos desse espírito que nos deparamos com uma garrafa de Verdeca, uva branca tradicionalmente cultivada no sul da Itália, região que muitos reputam constituir sua terra natal. A proposta é da Feudi di Guagnano, produtor que conhecemos quando da apresentação dos novos italianos importados pela Casa Rio Verde.
    Visual dourado intenso. No nariz, a nota dominante é vegetal, com nítidos toques de pinheiro que chegam a lembrar o estilo do grego Retsina. Há alguma fruta branca discreta. Em boca não mostra muita acidez, é, de novo, bastante vegetal. Muito puxado para a resina de pinheiro, é algo monotemático, ainda que refrescante. Sozinho, não me pareceu capaz de ombrear com os grandes brancos do sul, como o Greco di Tufo e a Falanghina.
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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nada como um Dolcetto de qualidade: Carlo Romana - Rumanot - 2009

    A Dolcetto é uma das mais injustiçadas uvas de todo o mundo. Não bastassem suas irmãs chiques e badaladas, como a Sangiovese e a Nebbiolo, seu nome ainda remete a “vinho doce”, o que leva um sem número de pessoas a enjeitar quaisquer Dolcettos que vejam. Nada mais triste. Trata-se de uma das mais interessantes uvas italianas, capaz de produzir, nas mãos de bons produtores, vinhos equilibrados, densos e agradáveis, ainda que sem toda a carga de complexidade e poesia dos melhores Barbarescos e Barolos, seus companheiros de Piemonte.
    Carlo Romana é um especialista em Dolcetto di Dogliani e coleciona inúmeros elogios da imprensa especializada italiana. Seu Rumanot, que experimentamos hoje, compõe a gama intermediária da casa e provém de vinhedos de cerca de 35 anos de idade. Não há passagem por madeira.
     Visual rubi translúcido e leve, com discretos relampos de ocre nas bordas, denotando evolução. No nariz, muita fruta negra fresca, especialmente amoras e ameixa. No fundo, há alguma mistura de madeira, cacau, café e especiarias. Nota-se alguma ferrugem, puxando claramente a evolução. Em boca, taninos macios e acidez média, fácil de beber e de gostar. Mesmo com quatro anos, ainda mostra vitalidade e estrutura. Uma excelente compra por cerca de R$ 35-40.
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domingo, 27 de outubro de 2013

Casa Rio Verde dá palhinha da nova importação de italianos no Espaço Renato Quintino

    A Casa Rio Verde apresentou, em belíssimo jantar capitaneado pelo chef Renato Quintino, parte do resultado do longo garimpo realizado por Haendel Roberto, superintendente da Casa, junto a mais de cem produtores italianos. Selecionaram-se 27 rótulos de dez cantinas localizadas em oito diferentes regiões. Essa remessa comporá a primeira etapa de importações. A segunda virá ano que vem. Seis dos 27 rótulos foram eleitos para acompanhar as fabulosas criações gastronômicas de Renato Quintino, apresentadas em seu badalado Espaço no alto das "montanhas" do Santo Antônio.


   - Os trabalhos foram abertos com um rótulo fora do roteiro. Era o Falerio da Tenuta de Angelis, tradicional vinícola da região de Marche, frequentemente deixada de lado pelos enoentusiastas em favor da vizinha mais badalada, a Toscana. A casa vem passando, desde a década de 80, por um processo de modernização e de redescobrimento do terroir local. Duas castas brancas da região foram trazidas de volta ao palco: a Pecorino e a Passerina. Essas duas joias locais são combinadas à Trebbiano e a outras uvas brancas para compor o Falerio, DOC que evidencia a influência romana sobre a região. Trata-se de vinho muito fresco e perfumado, evocando frutas brancas e discretos lampejos florais.  A seguir, outra criação da de Angelis, o Offida Pecorino. A DOC Offida exige 85% de Pecorino no corte e impõe limites de rendimento por hectare, o que resulta, geralmente, em vinhos mais densos. Foi o caso desse Offida, um dos mais ricos vinhos brancos que provei esse ano. No nariz, é uma explosão floral como raramente se vê. Um verdadeiro buquê de flores brancas com discretos arremates frutados. Em boca, é denso e mineral, cheio de frutas. Uma delícia.




    - Do Vêneto, Haendel trouxe um Bardolino de Matilde Poggi, uma das maiores especialistas nessa DOC, que já foi amplamente criticada em razão de seu estilo leve e tranquilo. Matilde começou a vinificar em 1984 e desde então vem trilhando seu próprio caminho, imune aos reclames do mercado internacional, que demandava vinhos densos e estruturados. A determinação rendeu bons frutos: seu Bardolino tem personalidade, evocando frutas vermelhas frescas, especialmente morangos e cerejas. Por vezes, algo no estilo de pimenta do reino também aparece. Harmonizou perfeitamente com o delicado bacalhau com risotto preparado por Renato Quintino.



    - O Abruzzo é outra região vinícola geralmente pouco conhecida e explorada, se comparada aos outros medalhões italianos. De lá, a Casa Rio Verde trará o Montepulciano d`Abruzzo Riserva Rubesto 2009, produzido pela Cantina Frentana. A casa localiza-se no coração do Abruzzo e foi a segunda cooperativa da região, fundada em 1958. Hoje, além de contar com mais de 400 produtores cooperados, a Cantina Frentana produz seus próprios vinhos, que têm tido boa recepção no mercado. O Rubesto, que passa por estágio de doze meses em carvalho e mais seis em garrafa, pode ser descrito em um único adjetivo: acachapante. Produzido em parcelas selecionadas dos vinhedos da Cantina Frentana, o Rubesto mostrou belíssimas frutas negras (amoras, ameixas, mirtilos) densas e poderosas. O carvalho foi perfeitamente integrado, escoltando e servindo de contraponto à grande riqueza de frutas. Havia, também, notas mais discretas de especiarias e baunilha. Sem dúvida, o melhor tinto da noite. Um belíssimo trabalho que caiu muito bem com o carré de cordeiro ao molho de laranja executado por Renato Quintino.


    - A Cantina Terenzi é uma jovem vinícola na região da Maremma, na Toscana. O sucesso é contínuo e crescente, o que pode ser constatado pela indicação da cantina como vinícola revelação do ano de 2013 pela Revista Gambero Rosso. Seu Morellino di Scansano básico, que será importado pela Casa Rio Verde e que provamos no evento, já frequentou as páginas da Wine Enthusiast em passado recente, tendo recebido 88 pontos. Trata-se de um vinho frutado, direto e simples, rico em cerejas e groselhas frescas. A ausência de madeira fazem dele uma opção descomplicada.



    - Finalmente, o sul da Itália, capaz de produzir vinhos potentes, complexos e marcantes a bons preços. Da Puglia virá um varietal Primitivo produzido pela Feudi di Guagnano, casa fundada em 2002 com o objetivo de exaltar e promover as castas da região, sobretudo a Negroamaro, a Malvasia Nera e a Primitivo. O Terramare traz tudo aquilo que se poderia esperar de um Primitivo típico: frutas negras pronunciadas (amoras) com algum toque de alcaçuz e especiarias. Em boca é denso e potente, com álcool presente, mas sem desequilibrar. Interessante.




    - Para concluir os trabalhos, um descontraído Lambrusco da DOC Grasparossa di Castelvetro, produzido pela cooperativa Cantina Formigine Pedemontana. Geralmente, não sou amante dos "amabile" e de seus altos níveis de açúcar, mas este, um Lambrusco bem feito, que em nada lembra muitas das coisas que usualmente temos por aqui, escoltou perfeitamente bem a torta de maçã preparada por Renato Quintino, um magnífico arremate para uma bela noite.


  
    - Ao fim e ao cabo, devem ser reiterados os cumprimentos ao Haendel e a toda a equipe da Casa Rio Verde pela bela seleção de italianos que comporá essa leva de importação. Ficou evidente a intenção de prestigiar produtores de variadas regiões que exaltam as peculiariadades e as tradições locais, mesmo que, em certos casos, as atitudes de alguns deles contrariem as necessidades mercadológicas. Trata-se de atitude louvável, especialmente tendo em vista as vicissitudes do mercado nacional. Mais uma vez, agradeço ao pessoal da Rio Verde pela oportunidade de participar do evento e ao Chef Renato Quintino pelas iguarias preparadas com esmero!
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domingo, 14 de julho de 2013

Revisitando: Poggio alla Sala - Il Torrino - 2009

    Já havíamos provado esse Torrino há um bom tempo, naquela ocasião na safra 2005. O vinho havia surpreendido pela capacidade de envelhecer bem e pelo preço contido. Hoje, voltamos a provar a proposta da Gattavecchi, um corte simples e tipicamente italiano composto, em sua maior parte, por Sangiovese. Será que, mesmo em plena jovialidade, esse simpático italiano continuará a surpreender? Pelo bem da ciência enológica, tratemos de descobrir!
    Visual rubi leve e translúcido. No nariz, muita fruta vermelha (cereja, groselha) combinada a um nítido toque vegetal gramíneo/terroso. Em boca, traz bom corpo densamente frutado, com taninos vívidos e acidez pronunciada. Trata-se de um típico italiano de entrada, rústico, simples e direto. Boa pedida por cerca de R$ 25.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013

O fantástico mundo da Falanghina: Campostellato - 2009

   A Falanghina é, provavelmente, minha uva branca preferida. Junto às tintas Aglianico e Primitivo, ela compõe uma espécie de trinca mágica do sul da Itália, que, frequentemente, traz doses maciças de diversão enológica a preços convidativos. Este Falanghina da Campostellato, por exemplo, tem habitado a faixa dos R$ 25-30. As uvas provêm dos vinhedos da Villa Matilde (o nome Campostellato é só para o mercado internacional) no sopé do vulcão Roccamonfina, na Campânia.
    Coloração estupidamente dourada, muito intensa, como há muito tempo não via. No nariz, uma previsível explosão de notas de frutas brancas (melão, pêra e maçã verde). Às vezes, um leve químico/floral aparece. Em boca falta algo de acidez, mas sobra suculência e exuberância frutada. Finalmente encontramos um sólido e acessível Falanghina no Brasil. Celebremos!
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sexta-feira, 1 de março de 2013

Um italiano para o dia a dia: Fattoria di Magliano - Sterpeti

    A Fattoria di Magliano é uma jovem vinícola fundada em 2001 na célebre região da Maremma, no sul da Toscana. O empreendimento inclui instalações amplas para receber turistas e visitantes. Alheia aos badalados vizinhos de região, a Fattoria vem produzindo, desde 2001, vinhos simples e consistentes, como o tradicional DOC Morellino di Scansano. O vinho de hoje, um varietal Sangiovese, está incluído na designação mais genérica de “Maremma Toscana IGT”.
    Visual rubi altamente translúcido. No nariz, é calmo e tranquilo, com notas de frutas vermelhas frescas, especialmente cerejas e framboesas e um certo toque de madeira. Em boca é menos interessante, mostrando-se leve, comum e indistinto. Mais um italiano simples e honesto para o dia a dia, que deveria custar bem menos do que os cerca de R$ 30 que costumam pedir por ele.
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Refrescando: Prosecco - Piera Martellozzo

    A vinícola Martellozzo tem uma história centenária, mas foi apenas em 1992 que Piera tomou as rédeas do empreendimento familiar. Dedicada à divulgação dos vinhos e das uvas da região de Friuli - Venezia Giulia, Piera produz tintos, brancos e espumantes. Dentre estes últimos não poderiam faltar os típicos Ribolla Gialla e Prosecco.
    Visual amarelo palha com discretos relances esverdeados. Perlage fino e abundante, uma beleza. No nariz traz um claro perfume floral acompanhado de melão, maçã-verde e pêra. Há um certo toque difuso de químico/fermentado. Em boca tem boa acidez, sem exageros, trazendo, de novo, muita fruta e refrescância. Uma ótima pedida para o verão, com preço pouco acima dos R$ 30.
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

E o tempo levou: Cappellaccio Aglianico Riserva - Rivera - 2006

    Já provamos, por aqui, um vinho da Rivera, um Primitivo muito agradável. Hoje, vamos abordar outra belíssima uva, a Aglianico, também conhecida como a Nebbiolo da Itália meridional por sua capacidade de produzir vinhos densos e capazes de lidar bem com a passagem do tempo.
    Esse Cappellaccio deriva seu nome da crosta calcárea presente no solo da região de Castel del Monte. Para plantar as videiras, é necessário atravessar essa camada, que pode chegar a até 40 metros de profundidade. São 12 meses de estágio em barricas de carvalho francês e igual período de repouso em garrafa antes de sair para o mercado.
    Visual rubi profundamente obscuro, pouquíssima transparência nas bordas. Surpreendentemente, não há sinais de evolução. No nariz, a história é outra: muito couro terroso e ferrugem, pouca fruta e alguma especiaria (pimenta do reino). Em boca mostrou-se cansado, muito fino, com pouco corpo, sem traços marcantes. Seis anos foram demais para este Aglianico.
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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Rosso di Montalcino - Camigliano - 2005

    A vinícola Camigliano é uma tradicional produtora de Brunello. A linha da casa é bastante completa e inclui desde o vinho de mesa “Il Borgone” até o Brunello di Montalcino Riserva “Gualto”. Hoje experimentamos este Rosso, que passa seis meses em madeira e igual tempo em garrafa.
    Bela coloração rubi-ocre que denota claramente a evolução ao longo dos sete anos. No nariz, um perfil típico dos vinhos já idosos, com frutas secas, madeira, ferrugem e couro. Em boca, deu mostras de que seu melhor tempo já havia passado: pouca estrutura, taninos macios demais, sem muita expressão, apenas um final médio que evocava frutas secas. Não parecia ruim, mas sete anos foram demais para este Rosso.
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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Mais uma cria da Valerio Vini: Sannazzaro - 2009

A safra 2010 tem um novo rótulo
    Já experimentamos uma das criações da Valerio Vini, um confiável produtor do Molise. O Calidio é o tinto de entrada da casa, enquanto este Sannazzaro é o último degrau antes do ícone Pentro, que fez renascer a DOC de mesmo nome. Temos aqui um varietal Montepulciano, com pequeno acréscimo de Aglianico e passagem de quatro meses em carvalho novo.
    Profunda coloração rubi, quase impenetrável. No nariz, um belo equilíbrio entre evolução (toque de frutas secas, couro e especiarias) e potência (frutas negras vivas e em profusão) . Em boca, é mais voltado para o café e o couro, mostra estrutura, presença e equilíbrio, com final médio agradável. Uma excelente compra proveniente de uma região da Itália que é frequentemente deixada de lado. Custa entre R$30 e R$35.
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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um italiano leve e divertido: Berlingero - Pucciarella - 2009

    Temos um retrospecto até relativamente amplo em matéria de italianos. De um elegante rosé, passando por um inusitado Malbec até os tradicionais Brunello e Chianti Classico Riserva. Este Berlingero, contudo, traz uma novidade interessante: trata-se de um corte Sangiovese, Merlot, Cabernet Sauvignon e Gamay! Este é o primeiro exemplar italiano da uva tradicionalmente usada em Beaujolais que tenho a oportunidade de provar. Além disso, vem da Úmbria, região central da Bota, geralmente deixada de lado quando se fala de vinhos italianos.  
    O Trasimeno é um dos principais lagos da Itália, circundado por colinas que deram origem à DOC Colli del Trasimeno. É lá, entre as pequenas cidades de Maggione e Corciano que surge a vinícola Pucciarella. A linha de produtos é ampla: inclui tintos, brancos, rosados, espumantes, grappas e azeites.
    O visual é de um rubi vivo e intenso mas bastante translúcido. No nariz temos muita fruta vermelha fresca (cereja, morango). Não sei quais são as proporções exatas do corte, mas a influência da Gamay é evidente, dando um toque vegetal, meio banana verde. Em boca  é leve, sem muita estrutura, com taninos macios, fácil de beber, mas sem cair na síndrome da falta de personalidade. Tem um frutado simples mas presente. Curta persistência e álcool bem integrado.
    É uma proposta bem diferente do que estamos acostumados a ver na Itália. Pode quase ser considerado um rosé, de tão macio e leve que é. Custa cerca de R$ 30. Interessante!
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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um italiano sem meias palavras: Calidio - Valerio Vini - 2008

    A região do Molise costuma ser meio esquecida dentre tantas outras grandes e célebres produtoras de vinho na Itália. Não é fácil conviver com um Piemonte ou uma Toscana no mesmo país. De todo modo, já tivemos a oportunidade de provar por aqui outro representante do Molise, da tradicional Di Majo Norante e destacamos sua intensa personalidade. Como veremos, o vinho de hoje não foge a esse estilo.
    A Valerio Vini é uma das responsáveis pelo (re)surgimento da DOC Pentro, reconhecida há muitos anos, mas sem produção efetiva até 2007. A vinícola, que produz cerca de 70.000 garrafas por ano, se propõe a concretizar o multicitado compromisso entre vanguarda técnica e respeito aos valores tradicionais. O Calidio, um varietal Montepulciano, não passa por madeira e tem teor de álcool a 13,5%.
    Coloração rubi intensa mas ainda bastante translúcida. No nariz, mostra toda a cara de um vinho rústico e agressivo: couro, café, ferrugem, terra, poeira e traços de frutas negras ao fundo. Em boca se destaca pela acidez, tem bom corpo e traz principalmente notas de café e frutas negras, com final curto meio amargo. Álcool e taninos equilibrados.
    Trata-se de um típico italiano de personalidade, sem meias palavras, que não se rendeu às modernidades, não obstante a expressão “vini contemporanei” presente na rolha. Interessante, mas para muitos palatos pode ser por demais diferentão, pela rusticidade sincera. Custou cerca de R$ 28.
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