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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Nada como um Dolcetto de qualidade: Carlo Romana - Rumanot - 2009

    A Dolcetto é uma das mais injustiçadas uvas de todo o mundo. Não bastassem suas irmãs chiques e badaladas, como a Sangiovese e a Nebbiolo, seu nome ainda remete a “vinho doce”, o que leva um sem número de pessoas a enjeitar quaisquer Dolcettos que vejam. Nada mais triste. Trata-se de uma das mais interessantes uvas italianas, capaz de produzir, nas mãos de bons produtores, vinhos equilibrados, densos e agradáveis, ainda que sem toda a carga de complexidade e poesia dos melhores Barbarescos e Barolos, seus companheiros de Piemonte.
    Carlo Romana é um especialista em Dolcetto di Dogliani e coleciona inúmeros elogios da imprensa especializada italiana. Seu Rumanot, que experimentamos hoje, compõe a gama intermediária da casa e provém de vinhedos de cerca de 35 anos de idade. Não há passagem por madeira.
     Visual rubi translúcido e leve, com discretos relampos de ocre nas bordas, denotando evolução. No nariz, muita fruta negra fresca, especialmente amoras e ameixa. No fundo, há alguma mistura de madeira, cacau, café e especiarias. Nota-se alguma ferrugem, puxando claramente a evolução. Em boca, taninos macios e acidez média, fácil de beber e de gostar. Mesmo com quatro anos, ainda mostra vitalidade e estrutura. Uma excelente compra por cerca de R$ 35-40.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dolcetto d`Alba - Giacomo Fenocchio - 2009

    A Azienda Agricola Giacomo Fenocchio, fundada em 1864, é uma das mais tradicionais produtoras da região do Piemonte, terra do Barolo. A história está até no rótulo, simples e tradicional. A vinícola propõe uma interpretação clássica dos vinhos piemonteses, renunciando às barricas, adotando a maceração mecânica e leveduras naturais.
    Como sabemos, a uva Dolcetto nada tem de “docinha” e pode produzir vinhos potentes, secos e altamente tânicos, conforme já pudemos relatar. Este, especificamente, não passa por madeira e provém de vinhedos de cerca de trinta anos de idade. Álcool a 13%.
    Coloração rubi bastante leve, transparente. No nariz mostra muita fruta vermelha fresca, principalmente cereja e morango, além de um toque vegetal, herbáceo, meio gramíneo. Em boca sofre do Complexo de Gasparzinho, sumindo muito rapidamente. Repete as frutas, mas tem pouca estrutura e concentração. Pode ser um efeito da abordagem mais clássica e tradicionalista. Poderia agradar os que preferem tintos mais leves e tranquilos em boca, não fosse tão tânico. Não agradou. Custou R$ 28,90.
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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Um magnífico Dolcetto: Bricco Botti - Pecchenino - 2006

    Há algum tempo conversamos sobre o custo/benefício na região do Piemonte (relembre) e prometemos um Dolcetto um pouco mais elaborado. Pois bem, vamos a ele. Já provamos o Dolcetto básico da Pecchenino, tradicional produtor de Dogliani. Hoje temos o Bricco Botti, que passa dezoito meses em carvalho. Álcool a 14%.
   Coloração rubi estupendamente opaca e impenetrável. Este é daqueles vinhos difíceis de descrever. É óbvio que a nota principal aqui é de frutas negras em compota, ameixas, mirtilos e amoras amadeiradas. Mas a cada vez que voltamos à taça, temos alguma coisa de novo: uma amoniazinha animal estilo velho mundo, um floral de violetas, couro. É impressionante a concentração e o foco das frutas, presentes em grande quantidade, mas não a ponto de quererem sair da taça e te nocautear, como fazem alguns fruit-bombs. A palavra-chave aqui é EQUILÍBRIO. Na boca tem uma presença e tanto, uma explosão de amoras, cerejas, ameixas, chocolate, que transicionam lindamente para um sutil amadeirado. Persistência looonga. Um vinho ainda "verde", bastante tânico, que poderia envelhecer mais uns três a seis anos, com tranquilidade. É realmente impressionante a qualidade que os bons Dolcettos podem trazer a preços bastante competitivos. Este custou 13,90 Euros. Vinhão!
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terça-feira, 9 de novembro de 2010

San Luigi Dolcetto di Dogliani - Pecchenino - 2008

    Mais um Dolcetto, dessa vez não "d`Alba", mas "di Dogliani". As duas cidades piemontesas ficam a poucos quilômetros de distância e produzem vinhos internacionalmente conhecidos pela elegância e delicadeza, no estilo "Pinot Noiresco".
    A história da vinícola Pecchenino remonta ao fim do século dezoito e, passada de pai para filho, tornou-se reconhecida por seus Dolcettos.
    O vinho de hoje é 100% Dolcetto, não passa por madeira e tem 13% de teor alcoólico. Recebeu 89 pontos de Antonio Galloni, que escreve para a Wine Advocate. 
    A coloração é de um rubi opaco, com um halo aquoso bastante evidente. Um agradável bouquet se faz logo notar, com um belíssimo perfume de cereja e ameixa. Trata-se de um frutado mais aberto, mais alegre do que normalmente se encontra por aí. Em outras palavras, lembra mais um belo suco de frutas vermelhas recém-colhidas do que uma geléia. Temos também um certo toque herbal, estilo grama. Na boca é muito equilibrado, com uma certa mineralidade presente. Taninos muito bem domados, sem excessos nem carências. Bela persistência. É um vinho mais feminino, delicado, quase tão fácil de beber quanto um branco.  Mais Queen do que Black Sabbath. Os dolcettos são, realmente, incríveis! 8,90 Euros.  
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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dolcetto d`Alba - Fontanafredda - 2008

A "casa" do Dolcetto é a região de Langhe, no Piemonte, norte da Itália. Terra de grandes vinhos, Barolos e Barbarescos. Mas o Dolcetto não tem toda essa pompa, é a bebida do dia a dia, é aquele velho amigo que está sempre pronto a lhe ajudar a enfrentar as agruras da vida. A vinícola Fontanafredda é bastante tradicional, famosa por seus Barolos. Sua história se confunde com a da própria Itália, tendo pertencido ao rei Vittorio Emanuele II. Este vinho não passa por madeira, estagiando brevemente em aço e depois alguns meses em garrafa. De um púrpura bastante intenso, o visual agrada! Basta abrí-lo para perceber que tem coisa boa vindo: dá pra sentir o frutado a metros de distância! De fato, esse vinho poderia ser quase um fruit bomb, não fosse o fato de que há mais nele além da tempestade de cereja, amora e morango. Algumas notas de chocolate, muito bem integradas compõem um bouquet muito agradável. Este vinho é basicamente cereja com chocolate. Na boca é equilibrado, elegante, taninos presentes mas sem incomodar, álcool bem integrado. Há um certo amargor residual, mas nada que prejudique. Boa persistência. Muito bom vinho. Pena que no Brasil certamente custaria acima de trinta reais. Aqui saiu por cinco euros e alguns centavos!
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