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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Quinta de São João Cuvée RB - 2013

Lá se vão 2 anos e um dia desde que provamos este Quinta de São João pela primeira vez. Naquela ocasião, ainda estávamos na safra 2010. Este português do Tejo imediatamente tornou-se uma de nossas opções favoritas para o dia a dia, em razão de sua expressividade e preço acessível. Com o passar do tempo, o 2010 mostrava-se gradativamente cansado, afinal, seis anos em garrafa não é para qualquer um. Eis que encontramos, então, esta safra 2013, que promete reviver as glórias do passado. O corte mudou um pouco: Touriga Nacional e Tinta Roriz permanecem no time; Castelão e Trincadeira dão lugar a Syrah, Merlot e Touriga Franca. Um time mais internacionalizado, pode-se dizer. Vejamos.
Coloração rubi intensa, quase opaco no centro. No nariz, notas muito pronunciadas de frutas negras em compota, um verdadeiro amálgama primordial de amoras e ameixas. Lampejos ocasionais de madeira e ervas aromáticas se fazem sentir, mas a tonalidade principal é claramente frutada. Em boca, é redondo e equilibrado, com taninos muito macios e equilibrados escoltando a expressão frutada. Definitivamente, permanece um belíssimo custo benefício na faixa de trinta e poucos reais!

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segunda-feira, 28 de março de 2016

JP - Seleção do Enólogo - 2014

O JP é um clássico da extensa gama da tradicional Bacalhôa, uma das mais prestigiosas vinícolas portuguesas. Trata-se de uma proposta simples, originária da Península de Setúbal, sub-região que é a casa da uva Castelão. De fato, é essa a cepa que compõe a maior parte do corte (53%) desse “Seleção do Enólogo”, que não passa por madeira. O restante do corte é composto por Syrah e Aragonez.
Visual rubi de média intensidade, sem chegar a ser completamente opaco. No nariz, um perfil frutado simples com alguma cereja, cassis e um ou outro nuance mais mineral. Em boca é agradável, bem presente, com perfil intenso de frutas vermelhas frescas. Uma proposta direta e descomplicada, que não deveria custar muito.

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quarta-feira, 23 de março de 2016

Marianne - Cape Blend - 2010

Já provamos por aqui uma proposta mais básica da Marianne. Hoje, degustamos este Cape Blend. Trata-se da tradicional combinação sul-africana entre Cabernet Sauvignon, Pinotage, Merlot e Shiraz. Há estágio em carvalho francês por 18 meses.  

Visual rubi intenso e negro, com claros sinais de evolução. No nariz, notas muito sedutoras de gramíneas e ervas saltam logo à frente, belamente conjugadas à expressão de frutas negras. Há aromas de evolução, como toques de couro, ferro e uma nota geral de porão. Em boca é macio, leve e expressivo, cheio de frutas combinadas a madeira e metal, com final gostoso e longo. Muito interessante, com um perfil bastante diferente do que estamos acostumados a ver.
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terça-feira, 21 de abril de 2015

Felix Solis - Caliza - 2013

A Felix Solis é um dos grandes conglomerados vinícolas da Espanha. Com exportações para mais de cem países e presença em seis regiões produtoras espanholas, a casa é atualmente comandada pela terceira geração. As instalações são realmente impressionantes e lembram, por vezes, grandes complexos industriais. A Bodega em La Mancha, por exemplo, de onde vem este Caliza, tem capacidade para impressionantes 50 milhões de litros ao ano. O vinho, cujo nome é uma referência aos solos calcáreos da região de onde provém, é um corte de 50% Tempranillo, 25% Syrah e 25% Merlot.
Visual rubi claro, translúcido, pálido. No nariz, puxa para os tons especiados, herbáceos e minerais. Em boca, é singelo, sem muito corpo, feito para beber descontraidamente. Simples, descomplicado.
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sábado, 18 de abril de 2015

Doña Paula - Los Cardos Syrah - 2013

Os vinhos da Doña Paula são amplamente conhecidos pelo Brasil. Apesar de jovem (fundada há apenas 25 anos), a vinícola já conquistou seu espaço como um dos principais nomes da Argentina. O sucesso decorre, possivelmente, da filosofia orientada para a qualidade, incorporando ideais da viticultura orgânica e sustentável. Não há nenhum receio de inovar e experimentar, como demonstram as plantações de castas incomuns na América do Sul, como Casavecchia, Ancellota, Riesling, Petit Verdot, Grenache, Touliba e Aglianico. A gama Los Cardos é uma das mais populares da casa. Esse Syrah provém de videiras de dezoito anos de idade.
Visual rubi muito vívido, opaco. No nariz, um caminhão de especiarias (alcaçuz, pimenta do reino) se une a muita fruta. Exuberante e intenso. Em boca, é quente, vivo, com a densidade bem contrabalançada pela acidez. Um vinho irrequieto, cheio de si, denso, mas sem chegar a ser excessivamente pastoso como tantos syrahs que vemos por aí.
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quarta-feira, 25 de março de 2015

Novidade lusa: Ripanço - 2013

Hoje temos novidade. O Ripanço é um lançamento da tradicional José Maria da Fonseca, originado em Reguengos de Monsaraz, no Alentejo. O nome decorre da técnica de desengace manual das uvas, uma tradição ancestral, típica do Sul de Portugal. Introduzido pelos romanos, o Ripanço consiste em rolar manualmente os cachos de uva por uma mesa composta por várias ripas transversais. A ideia é evitar a acidez e os taninos provenientes do engaço e produzir um vinho um pouco mais macio e com maior teor de açúcar residual. O corte foi feito nas seguintes proporções: 48% Syrah, 32% Aragonez e 20% Alicante Bouschet. Há estágio de seis meses em carvalho francês e americano de primeiro uso.
Visual rubi obscuro e intenso, quase opaco. No nariz, predominam fortes notas de frutas vermelhas em uma densa e intensa compota. Por vezes, um ou outro toque especiado. Em boca, o teor de açúcar mais pronunciado se faz sentir, mas não chega a incomodar. É, basicamente, uma geléia de frutas do bosque. Uma interessante técnica, que produz um vinho que pode agradar a muitos paladares mais modernos.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Herdade da Farizoa - Seleção do Enólogo - 2012

A Herdade da Farizoa é mais uma das propriedades que compõem a Companhia das Quintas. Produzido pelos experientes João Correia e Nuno do Ó, este corte de Aragonez, Touriga Nacional, Syrah e Alfrocheiro estagia por dezoito meses em carvalho francês.
Denso visual rubi, com reduzido halo. No nariz, frutas vermelhas combinam-se a um nítido toque especiado e mineral. Basicamente uma mistura de louro, pimenta do reino, cerejas, groselha, pedra e terra. Em boca, tem corpo médio, mostrando-se mais contido do que se poderia esperar, mas nem por isso menos interessante. Taninos muito macios, num final médio que remete a especiarias. Vale a pena procurar.
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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Vizzar Selección Especial - 2007

   A Bodegas Vizar localiza-se nas encostas do Douro espanhol, na altura de um lugarejo chamado Villabañez, nos arredores de Valladolid. A proposta da casa é a liberdade de ação, o que resultou no uso intenso de castas internacionais, como Syrah e Cabernet Sauvignon. Esse Reserva Especial , por exemplo, é um corte meio a meio de Tempranillo e Syrah, que passa  14 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso.

    Visual rubi intenso, com mínimo halo aquoso, sem  qualquer indício de idade. No nariz é muito tendente ao alcaçuz, xaroposo e cheio de frutas vermelhas, com discretos toques de couro e especiarias, por vezes. Em boca é intenso e potente, com um meio que lembra algo terroso/café. Uma proposta que nem de longe aparenta ter os sete anos de idade que tem, tamanha a jovialidade e intensidade que transmite.
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domingo, 8 de dezembro de 2013

Syrah para esquentar a alma: Domaine de La Baume - La Jeunesse - 2012

    A região de Languedoc, no sul da França, antigamente criticada pelos volumes estratosféricos de produção, guarda infindáveis tesouros para o enoentusiasta. Longe dos preços proibitivos das AOCs mais badaladas e reconhecidas, milhares de bons vinhos estão aguardando para serem descobertos pelo grande público. Lá, a Syrah é uma das estrelas principais, geralmente produzindo vinhos poderosos e expansivos, bons para esquentar o espírito em climas mais frios. O Domaine de La Baume, fundado há cerca de dois séculos, é, hoje, depois de passar pelas mãos dos australianos da Hardy`s, um grande complexo turístico-enológico controlado pelo grupo francês Grands Chais de France. Vejamos como se sai o Syrah feito por eles.   
    Antes de mais, uma nota curiosa: esta talvez tenha sido a garrafa mais pesada que já passou por minhas mãos nos últimos anos. Interessante foi perceber que o produtor não deu a mesma importância à rolha, feita de aglomerado de cortiça. Enfim.
    Coloração rubi densa e escura, impenetrável. No nariz, muita fruta: amoras e ameixas explosivas por todos os lados. Agradáveis toques especiados de louro e pimenta preta também aparecem. Em boca é um pouco menos exuberante, trazendo corpo muito pesado e um pouco monótono (frutas e nada mais), com alguma sobra de álcool. No geral, um vinho agradável, uma boa proposta de Syrah, com toda a fidelidade ao estilo próprio da uva.
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terça-feira, 30 de julho de 2013

Eral Bravo Syrah - 2009

    Já havíamos provado a versão Malbec dessa linha intermediária da vinícola Eral Bravo. Chegou a vez do Syrah, que, com seus 15% de álcool, promete manter a filosofia de vinhos potentes e exuberantes, típicos dessa interessante casa argentina. Há passagem por barricas de carvalho francês por doze meses.
    Visual rubi absolutamente opaco, reduzido halo aquoso. No nariz, um perfil potente composto por couro, ferrugem, frutas negras (groselha, amoras, ameixas), café, madeira, especiarias (louro, pimenta do reino), algo herbáceo (gramíneo). Em boca, não é tão complexo, direcionando-se mais às frutas combinadas a um final de café. Muito agradável e potente, excelente relação qualidade/preço por cerca de R$ 40.
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mario Geisse e os vinhos da Casa Silva na Casa Rio Verde

    Quando soube que a Casa Rio Verde traria Mario Geisse para mostrar os vinhos produzidos pela Casa Silva, já tinha certeza de que a oportunidade seria única. Mario é um dos mais conceituados enólogos da América do Sul, tendo participado ativamente de duas tendências históricas fundamentais da vinicultura do continente: a descoberta da Carménère no Chile e a ascensão vertiginosa dos espumantes brasileiros rumo ao estrelato internacional. Durante os anos 70, Mario desenvolveu seu talento em renomadas vinícolas como Chandon e Manquehue. Atualmente, é responsável pelos vinhos da Casa Silva, além de dirigir seu próprio empreendimento no sul do Brasil, a Cave Geisse, onde são produzidos alguns dos melhores espumantes nacionais. Hoje, contudo, não é hora de falar de borbulhas, e sim das crias de Mario no Chile, degustadas em mais um evento organizado com maestria pelo pessoal da Casa Rio Verde.


    Cool Coast 2012 - Esse surpreendente Sauvignon Blanc, que abriu os trabalhos, foi um dos grandes destaques da noite. Impressionou pela expressão frutada (limão, kiwi, abacaxi) intensa e cristalina, acompanhada por uma acidez pungente, que praticamente o transformava num frisante no primeiro contato com a língua. Absolutamente refrescante, o frescor do clima marítimo ao qual o rótulo faz referência é claramente percebido. Sem nenhuma madeira intrusa para matar a vivacidade da Sauvignon Blanc, trata-se de um branco memorável!


    Angostura Gran Reserva Merlot 2009 - 75% do vinho passam por estágio de 10 meses em carvalho francês. Esse Merlot mostrava claros sinais de evolução, tanto no visual, com reflexos ocres, quanto no nariz, com notas de couro, ferrugem, alcaçuz e frutas secas. Em boca, temos um vinho xaroposo, com madeira bem integrada à fruta. Com sinais muito evidentes de evolução, não era exatamente o que se poderia esperar de um Merlot de apenas quatro anos de idade. Interessante.


   
Los Lingues Gran Reserva Carménère 2010 - Aqui, o contraste com o Merlot precedente foi notável: logo no visual, um rubi claro puxado para o púrpura, bastante translúcido. No nariz, demorou um pouco para se abrir. Depois de algum tempo, surgiram notas interessantes de hortelã, baunilha e frutas negras em compota. Em boca, muita intensidade e concentração, estilo geleia primordial. Final médio macio e redondo, com os típicos taninos tranquilos da Carménère. E por falar em carga tânica, segundo Mario Geisse, em análises químicas esse Carménère mostrou maior quantidade de taninos do que o Cabernet Sauvignon degustado a seguir. A impressão de maciez na Carménère deve-se à capacidade dessa uva de amenizar o excesso de taninos.


Lolol Gran Reserva Syrah 2009 - Esse foi outro destaque do evento. Trata-se de um Syrah que esbanja tipicidade nas notas intensas de especiarias (louro, pimenta do reino), alcaçuz e frutas negras (ameixas, amoras). Como diriam os anglo-saxões, textbook syrah. Em boca é denso, rico em frutas e pimenta. Um final longo e poderoso sem excesso de álcool. Da linha Gran Reserva, foi certamente o que mais me agradou. Há estágio de onze meses em carvalho francês.


    

Los Lingues Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2009 - Visual rubi ainda translúcido. No nariz, pareceu tímido, mostrando apenas um certo frutado discreto estilo groselha combinado a algo de carne crua. Em boca é melhor, tem mais expressão de frutas vermelhas e um certo toque de baunilha ao final. Nada de mais.





Gran Reserva Petit Verdot 2009 - Uma proposta interessante, já que não é sempre que podemos provar um varietal Petit Verdot. Segundo Mario Geisse, essa uva pode ultrapassar a Tannat em carga tânica. O visual era de um rubi absolutamente opaco e intenso, impenetrável. No nariz, não é tão exuberante como se poderia esperar, mostrando algo de café/baunilha e frutas negras. Em boca, mais uma vez, nada de agressividade. Taninos bem integrados a notas de ameixa e amora.


    Quinta Generación Tinto 2008 - Aqui, começamos a adentrar a escala superior dos vinhos Casa Silva. Esse blend de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Carménère, 15% Syrah e 5% Petit Verdot passa 13 meses em carvalho francês e foi avaliado em 90 pontos por Robert Parker. No nariz, fica evidente toda a intesidade de cassis, ameixas e amoras em compota. Há, também, uma clara nota especiada  junto a algo de fumaça/couro. Complexo, merecia mais atenção. Em boca, é tudo o que se poderia esperar: denso, redondo e equilibrado, combinando frutas negras e baunilha. Longo final com algo de café.


    Carménère Microterroir de Los Lingues 2006 - Resultado de extensas pesquisas desenvolvidas pela Casa Silva em parceria com a Universidade de Talca, esse Carménère é tido como um dos melhores exemplares da uva no Chile e, consequentemente, no mundo. A safra 2006 recebeu 92 pontos de Robert Parker. No visual, parece ter vivido bem os sete anos de vida, mostrando apenas leves reflexos ocres. No nariz, temos muita coisa acontecendo: frutas secas, couro, café, especiarias (louro, alecrim) e um toque herbáceo estilo hortelã ao fundo, que remete ao primeiro Carménère que provamos. Em boca, precisão é a palavra-chave: como um filme num bom sistema de som, podemos identificar claramente de onde vem o quê. Em um canal, um caminhão de frutas. No outro, notas de pimenta e tabaco. Em mais outro, um certo toque de madeira/baunilha. Um vinho multidimensional, grande, de final longo, com álcool bem presente, mas sem chegar a prejudicar. Uma obra bem executada que nos lembra das idas e vindas da vinicultura: uma uva francesa do Médoc, hoje quase esquecida em seu país de origem, ressurge em todo seu potencial nos longínquos confins de um continente periférico, graças ao trabalho de gente como Mario Geisse.

Todos os vinhos degustados. Concentração é primordial!!

    Meus agradecimentos ao pessoal da Casa Rio Verde por mais uma recebida calorosa e por outra oportunidade de conhecer de perto mais uma lenda da vitivinicultura.    
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quarta-feira, 3 de abril de 2013

Adega Cooperativa da Labrugeira - Syrah + Tinta Roriz - 2006

    A Adega Cooperativa da Labrugeira, fundada em 1973, reúne 85 produtores da região do Alenquer, em Portugal. O grupo cultiva castas autóctones, como Tinta Roriz, Arinto e Castelão, mas há um grande entusiasmo em relação às variedades internacionais, especialmente Syrah e Cabernet Sauvignon. O vinho de hoje, por exemplo, é um curioso corte de 60% Syrah e o restante de Tinta Roriz. Há estágio em madeira.
    Visual rubi leve e translúcido, com evidente halo aquoso. No nariz, dois componentes se destacam: um elemento especiado, com alecrim, pimenta do reino e louro e outro com ferrugem, café, couro e reminiscências de porão, denotando clara evolução. Em boca tem boa presença, ainda mostra vitalidade, trazendo frutas secas num final médio equilibrado. Muito interessante, já que mostrou admirável compostura ao longo de sete anos. Considerando-se o  preço cobrado, cerca de R$ 30, é uma maneira acessível de variar um pouco dos portugueses frutados e diretos que temos provado por aqui. 
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Alta Vista Atemporal em sua encarnação 2009

    Já se vão quase um ano e meio desde que provamos, pela primeira vez, este Atemporal, produzido pela Alta Vista no Vale de Uco, em Mendoza, na Argentina. Nos surpreendemos pela belíssima integração entre expressão frutada e nuances de madeira, característica que gerou um vinho bem resolvido, intenso e redondo, sem beirar a agressividade. A safra 2009, como veremos, parece estar ainda melhor. As uvas (Malbec, Cabernet Sauvignon, Syrah e Petit Verdot) provêm do vinhedo Albaneve, um dos mais altos pontos de Mendoza. Há estágio de doze meses em carvalho francês.
    Coloração rubi densa, impenetrável. No nariz, uma explosão de frutas negras (amoras, mirtilos, cassis) ladeada por agradável toque de baunilha, bem na medida. Em boca é novamente muito frutado e potente, denso, equilibrado e redondo. Os 15% de álcool estão perfeitamente domados, assim como os taninos. Uma delícia de vinho, é como um baita bolo de chocolate com frutas. Em comparação com o 2008, pareceu mais vivo e poderosamente frutado, conseguindo manter álcool e madeira em equilíbrio. Vale a pena!
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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

O braço chileno da Miolo: Costa Pacífico - Syrah - 2010

    A linha Costa Pacífico é resultado da parceria entre a Miolo e a Via Wines. São vinhos simples, que custam cerca de vinte reais e que recebem a designação genérica “Valle Central”. Não há estágio em madeira.
    Visual rubi bastante forte, não completamente opaco, mas bem intenso. No nariz, há apenas um intenso frutado: muita amora e ameixa. Em boca  é discreto, passageiro, tem pouco corpo, estrutura e sabor. De todo modo, é agradável e fácil de beber. Bom vinho para se tomar casual e descompromissadamente.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Trio, o trivarietal da Concha y Toro

    Trio é uma das tradicionais marcas da Concha y Toro, pairando logo acima do famoso Casillero del Diablo na cadeia hierárquica da casa. A ideia é fazer um assemblage de três uvas diferentes. Este que provamos hoje, por exemplo, é composto, em sua maior parte, por Cabernet Sauvignon (70%), com Shiraz e Cabernet Franc divididas igualmente nos 30% restantes. São onze meses de estágio em carvalho francês. Teor alcoólico a 14%.
    Visual rubi muito intenso, quase completamente impenetrável. Logo de início, no nariz, já dá para perceber o caráter deste vinho: distintamente novo mundo, uma profusão de frutas negras em compota, acompanhada por toques de baunilha e tabaco. Muito agradável. Em boca tem muita estrutura e densidade, é potente, frutado e fácil de beber, com taninos macios. O álcool às vezes incomoda um pouco.
    Um belo vinho, cujo maior problema é realmente o preço, já que em Belo Horizonte chega a custar mais de R$ 50. A esse preço, prefiro o Peñalolen, da Viña Quebrada de Macul, que me pareceu mais equilibrado, principalmente quanto ao álcool.
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sábado, 17 de dezembro de 2011

Wine in the sack: Syrah - Eyzaguirre - 2007

    A família Eyzaguirre, de origem espanhola, emigrou para o Chile em meados do século XVII. Cerca de cem anos depois, começou a produzir vinhos. Ao que parece, a embalagem de pano evitava quebras ao longo dos tortuosos caminhos pelos quais se escoava a produção. Hoje, é um belo diferencial marketístico. De fato, é impossível não notar esta garrafa em meio às outras na prateleira, embalada como está em uma espécie de pano rústico.
    Este varietal Syrah do Vale do Colchagua, já de meia idade (quase 5 anos!) não passou por madeira. São 10 meses em tanques de aço inoxidável e 2 em garrafa. Teor alcoólico a controlados 13,6%. As videiras têm idade média de 17 anos.
    No visual, já percebemos os sinais de evolução: um rubi acompanhado por claras tonalidades ocres na borda. No nariz, uma rica mistura de frutas secas com muito couro, ferrugem e pimenta preta. Em boca é simples, dominam as notas “salgadas” de couro e café.  Média persistência e álcool bem integrado.
    Eis aí uma bela evolução num vinho acessível (R$ 27,90). Ficou devendo apenas maior estrutura e complexidade em boca.
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domingo, 16 de outubro de 2011

Um Syrah de forte personalidade: Finca El Origen - 2009

    A Finca El Origen é o braço argentino da gigante chilena Santa Carolina. A vinícola está localizada no Vale de Uco e as primeiras garrafas foram produzidas em 2002.
    Este varieral Syrah compõe a linha de entrada da casa. São quatro meses de estágio em carvalho francês e  teor alcoólico a 14%. Um adesivo pregado acima do rótulo indica que este vinho ganhou medalha de prata no Argentina Wine Awards 2010. Interessante.
    Coloração rubi muito intensa, quase completamente opaca. No nariz tem toda a cara de Syrah: frutas negras (amoras) como um trem desgovernado simplesmente te atropelam. Enquanto estás ainda desnorteado, caem do céu toneladas de pimenta preta e tabaco. Para completar o quadro, ainda paira no ar um certo esfumaçado. Em boca, como era de se esperar, muito corpo e estrutura, trazendo de novo frutas densas com muitas especiarias, num final médio. O ponto fraco aqui é o álcool, um pouco fora de controle tanto no nariz quanto na boca. Mas não importa: é um vinho de personalidade, acessível (R$ 24), diferente do que se vê por aí em termos de Syrah de entrada. Vale a pena provar, se fizer seu estilo.
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sábado, 8 de outubro de 2011

Toro d`Oro Syrah - Viña Requingua - 2010

    Hoje provamos a linha de entrada da Viña Requingua, célebre produtora dos apreciados Puerto Viejo e Potro de Piedra. É interessante notar que essa gama Toro d`Oro não consta da lista de produtos do site da vinícola, talvez por ser uma linha especificamente desenvolvida para o importador exclusivo no Brasil, o Supermercado Verdemar.
    A coloração é de um rubi/púrpura bem leve e translúcido. No nariz é interessante, muito frutado, cheio de cerejas frescas estilo Ki-Suco. Em boca, a “fantasia” cai, revelando um certo amargor e a quase completa ausência de corpo, estrutura e de qualquer outra coisa digna de nota. Álcool e taninos, pelo menos, não incomodam.
    Não é um vinho ruim, mas as intensas notas frutadas que exala te deixam esperando algo que simplesmente não está ali. É verdade, contudo, que não se pode pedir muito mais pelo preço de R$ 13,90!
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma pérola do sul da França: Costières de Nîmes - Chateau Virgile - 2009

    A cidade de Nîmes marca uma espécie de centro imaginário da costa sul da França, na transição entre as regiões de Languedoc-Roussilon e do Vale do Rhône. A AOC Costières de Nîmes pertence a esta última região e utiliza as típicas variedades tintas Syrah, Grenache e Mourvèdre. Este vinho básico da propriedade familiar dos irmãos Serge e Thierry Baret não foge à fórmula: é um corte de 60% Syrah, 30% Grenache e 10% Mourvèdre que não passa por madeira, com teor de álcool a 13,5%.
    Visual rubi bastante escuro, quase totalmente opaco. No nariz mostra uma bela interpretação da Syrah, com muita pimenta preta, ameixa, amora e café. Em boca é intenso, estruturado e potente, mostrando muita fruta madura. Elegante, bem feito, equilibrado, redondo e gostoso de beber, mostra taninos e álcool perfeitamente integrados. É muito mais do que se poderia esperar de um vinho de apenas R$ 20 e mais um exemplo das pérolas que podem ser encontradas nas regiões pouco badaladas do mundo.
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sábado, 10 de setembro de 2011

Miolo Terranova Reserve C.S./Shiraz - 2008

    Sempre tive certa simpatia pelo Terranova Shiraz, elaborado pela Vinícola Ouro Verde, no Vale do São Francisco, para a Miolo. É um vinho barato e diferente, como observamos aqui. Hoje, provamos seu irmão mais velho, da linha Reserva, que é, na verdade, um corte meio a meio entre Cabernet Sauvignon e Shiraz. Houve estágio de oito meses em carvalho americano.
    Coloração rubi muito intensa, quase completamente opaca, com discreto halo aquoso. De início estava bastante fechado, mas aos poucos revelou um perfil aromático bastante semelhante ao do Terranova básico, com uma nota dominante de café e um certo frutado indistinto ao fundo. Interessante como esses vinhos do São Francisco cheiram a café! Em boca é meio vazio, sem muita expressão, monótono. Taninos bem vivos e álcool sobrando um pouco.
    O básico é melhor. Este custa cerca de R$ 22.
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