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terça-feira, 28 de junho de 2011

Um vinho "explosivo": Australia State Shiraz - 2008

    Esses vinhos de rótulo simples e nome genérico são importados pelo Supermercado Verdemar e compõem a “linha de frente” da loja quanto aos australianos. No contra-rótulo, o blá-blá-blá de sempre: “A tradição da família Carpenter na elaboração de vinhos chega ao Brasil com a linha Australia State. Através da experiência passada de geração em geração, mesclam o tradicional e o contemporâneo, resultando em um vinho da fina herança australiana.” O site do produtor, Westminster Wine Pty, traz afirmações igualmente vazias e genéricas, sem um único link, apenas um endereço de email. Parece saído diretamente do início dos anos 90...
    Visual rubi bem intenso mas não totalmente opaco, com halo aquoso presente. No nariz, frutas adocicadas, ameixa e cassis em compota, um fortíssimo componente de baunilha/madeira e  álcool sobrando. Em boca lembra um licor de cassis: encorpado, frutado e com álcool por todos os lados. Final curto.
    Este é daqueles vinhos que te dão uma paulada na cabeça: desequilibrado e potente, não está nem aí para sentimentalidades, bem ao estilo Shiraz Australiano barato de ser. Para quem gosta, é um prato cheio. Prefiro lembrar aquele velho slogan da Pirelli: “Potência não é nada sem controle”. Custou R$ 21,90.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O canguru que conquistou os EUA: Yellow Tail - Shiraz - 2009

    Assim como todas as criações humanas, o vinho traz em si um certo grau de subjetividade. Ele pode ser o resultado de uma produção familiar e limitada, que traz em cada gota a expressão do terroir local. Pode ser também um produto industrial, planejado e projetado nos laboratórios, por profissionais que sabem exatamente a impressão que querem causar nos consumidores. Estabelecida a fórmula, é só uma questão de aplicá-la àquilo que sai dos vinhedos e fabricar milhões de garrafas. O Yellow Tail se inclui neste último grupo.
    A marca Yellow Tail é provavelmente a de maior e mais avassalador sucesso no mercado de vinhos norte-americano. Lançada em 2001, três anos depois já vendia 6,7 milhões de caixas por ano. Em Novembro de 2005, atingiu a incrível marca de um milhão de caixas em um único mês.
    Coloração rubi intensa, mas não totalmente opaca, com halo aquoso presente. No nariz é uma explosão de baunilha, circundada por alguma ameixa e framboesa. É impressionante como um vinho pode trazer um aroma tão evidente de baunilha. Na boca é quase como uma barra de chocolate ao leite, daquelas bem doces, pastosas e molengas. Muito carregado no açúcar, taninos próximos do zero absoluto e álcool incomodando um pouco. Persistência bem curtinha. Nos primeiros goles é interessante e agrada, mas depois torna-se enjoativo. Tem um jeitão bem químico e industrial, como se tivessem tacado litros de essência de baunilha num vinho qualquer. Se fosse vendido no Brasil por até uns 20 reais provavelmente seria um estouro, pois é fácil de beber e entender. Aqui custou cinco euros e uns quebrados.
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