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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Ventisquero V9 Gran Reserva - Carménère - 2012

A Ventisquero é um dos grandes nomes do vinho chileno. A linha Clásico é uma referência de vinhos seguros, bem-feitos e acessíveis para o dia a dia. Este V9 não aparece no site da casa, mas, pelo posicionamento de mercado, deve compor a gama intermediária da vinícola. Este Carménère leva pequena adição de Cabernet Sauvignon (10%). Há estágio de dez meses em barricas de carvalho.

Visual rubi tendente ao negro, com discreto halo. No nariz, o tradicional e esperado perfil de frutas negras em abundância combinadas a toques amadeirados e abaunilhados. Em boca, é agradável, macio, saboroso, frutado, mas passageiro. Bom vinho, que cumpre muito bem o papel de se encaixar no perfil fruit bomb, mas que não se destaca em meio à multidão.
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sábado, 14 de março de 2015

Irreverência e pioneirismo: Cono Sur Bicicleta Carménère - 2012

Modernidade e inovação são as palavras-chave para entender esta jovem vinícola chilena. Dentre os feitos alcançados ao longo de seus vinte e dois anos de existência estão a introdução da Viognier no terroir chileno e um dos maiores volumes de produção de Pinot Noir em todo o mundo. Após uma ascensão meteórica para o grupo dos maiores exportadores de vinho chileno, a Cono Sur consolidou sua posição com vinhedos em praticamente todos os terroirs do país. Desde 1995, a casa vem utilizando, com grande entusiasmo, rolhas sintéticas e tampas de rosca em seus vinhos. O amor pelo novo por vezes resvala na crítica aberta a todo o clima de tradição e história que permeia o universo vitivinícola: no site, é possível ler os dizeres “No family trees, no dusty bottles, just quality wine”.
A linha Bicicleta é a mais básica da casa e conta com uma variedade impressionante de opções: desde um Gewurztraminer do Vale de Bio-Bio até um Syrah do Vale de Colchagua. Os tintos, em sua maioria, levam algumas pitadas de outras uvas. Este Carménère que provamos, por exemplo, é complementado por pequenas adições de Cabernet Sauvignon, Petit Verdot, Malbec, Carignan e Alicante Bouchet. Incrível!

Coloração densa e opaca, de um rubi tendente ao púrpura. No nariz, é muito intenso e portentoso, com amplas e exuberantes notas de frutas em compota, especialmente amoras, ameixas e groselha. A madeira está bem integrada, criando um perfil dark e poderoso. No fundo, uma intrigante nota vegetal faz sua aparição. Em boca é bem estruturado, como seria de se esperar, trazendo sobretudo frutas maduras. Taninos muito redondos. Excelente proposta por um preço convidativo!
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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Mario Geisse e os vinhos da Casa Silva na Casa Rio Verde

    Quando soube que a Casa Rio Verde traria Mario Geisse para mostrar os vinhos produzidos pela Casa Silva, já tinha certeza de que a oportunidade seria única. Mario é um dos mais conceituados enólogos da América do Sul, tendo participado ativamente de duas tendências históricas fundamentais da vinicultura do continente: a descoberta da Carménère no Chile e a ascensão vertiginosa dos espumantes brasileiros rumo ao estrelato internacional. Durante os anos 70, Mario desenvolveu seu talento em renomadas vinícolas como Chandon e Manquehue. Atualmente, é responsável pelos vinhos da Casa Silva, além de dirigir seu próprio empreendimento no sul do Brasil, a Cave Geisse, onde são produzidos alguns dos melhores espumantes nacionais. Hoje, contudo, não é hora de falar de borbulhas, e sim das crias de Mario no Chile, degustadas em mais um evento organizado com maestria pelo pessoal da Casa Rio Verde.


    Cool Coast 2012 - Esse surpreendente Sauvignon Blanc, que abriu os trabalhos, foi um dos grandes destaques da noite. Impressionou pela expressão frutada (limão, kiwi, abacaxi) intensa e cristalina, acompanhada por uma acidez pungente, que praticamente o transformava num frisante no primeiro contato com a língua. Absolutamente refrescante, o frescor do clima marítimo ao qual o rótulo faz referência é claramente percebido. Sem nenhuma madeira intrusa para matar a vivacidade da Sauvignon Blanc, trata-se de um branco memorável!


    Angostura Gran Reserva Merlot 2009 - 75% do vinho passam por estágio de 10 meses em carvalho francês. Esse Merlot mostrava claros sinais de evolução, tanto no visual, com reflexos ocres, quanto no nariz, com notas de couro, ferrugem, alcaçuz e frutas secas. Em boca, temos um vinho xaroposo, com madeira bem integrada à fruta. Com sinais muito evidentes de evolução, não era exatamente o que se poderia esperar de um Merlot de apenas quatro anos de idade. Interessante.


   
Los Lingues Gran Reserva Carménère 2010 - Aqui, o contraste com o Merlot precedente foi notável: logo no visual, um rubi claro puxado para o púrpura, bastante translúcido. No nariz, demorou um pouco para se abrir. Depois de algum tempo, surgiram notas interessantes de hortelã, baunilha e frutas negras em compota. Em boca, muita intensidade e concentração, estilo geleia primordial. Final médio macio e redondo, com os típicos taninos tranquilos da Carménère. E por falar em carga tânica, segundo Mario Geisse, em análises químicas esse Carménère mostrou maior quantidade de taninos do que o Cabernet Sauvignon degustado a seguir. A impressão de maciez na Carménère deve-se à capacidade dessa uva de amenizar o excesso de taninos.


Lolol Gran Reserva Syrah 2009 - Esse foi outro destaque do evento. Trata-se de um Syrah que esbanja tipicidade nas notas intensas de especiarias (louro, pimenta do reino), alcaçuz e frutas negras (ameixas, amoras). Como diriam os anglo-saxões, textbook syrah. Em boca é denso, rico em frutas e pimenta. Um final longo e poderoso sem excesso de álcool. Da linha Gran Reserva, foi certamente o que mais me agradou. Há estágio de onze meses em carvalho francês.


    

Los Lingues Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2009 - Visual rubi ainda translúcido. No nariz, pareceu tímido, mostrando apenas um certo frutado discreto estilo groselha combinado a algo de carne crua. Em boca é melhor, tem mais expressão de frutas vermelhas e um certo toque de baunilha ao final. Nada de mais.





Gran Reserva Petit Verdot 2009 - Uma proposta interessante, já que não é sempre que podemos provar um varietal Petit Verdot. Segundo Mario Geisse, essa uva pode ultrapassar a Tannat em carga tânica. O visual era de um rubi absolutamente opaco e intenso, impenetrável. No nariz, não é tão exuberante como se poderia esperar, mostrando algo de café/baunilha e frutas negras. Em boca, mais uma vez, nada de agressividade. Taninos bem integrados a notas de ameixa e amora.


    Quinta Generación Tinto 2008 - Aqui, começamos a adentrar a escala superior dos vinhos Casa Silva. Esse blend de 40% Cabernet Sauvignon, 40% Carménère, 15% Syrah e 5% Petit Verdot passa 13 meses em carvalho francês e foi avaliado em 90 pontos por Robert Parker. No nariz, fica evidente toda a intesidade de cassis, ameixas e amoras em compota. Há, também, uma clara nota especiada  junto a algo de fumaça/couro. Complexo, merecia mais atenção. Em boca, é tudo o que se poderia esperar: denso, redondo e equilibrado, combinando frutas negras e baunilha. Longo final com algo de café.


    Carménère Microterroir de Los Lingues 2006 - Resultado de extensas pesquisas desenvolvidas pela Casa Silva em parceria com a Universidade de Talca, esse Carménère é tido como um dos melhores exemplares da uva no Chile e, consequentemente, no mundo. A safra 2006 recebeu 92 pontos de Robert Parker. No visual, parece ter vivido bem os sete anos de vida, mostrando apenas leves reflexos ocres. No nariz, temos muita coisa acontecendo: frutas secas, couro, café, especiarias (louro, alecrim) e um toque herbáceo estilo hortelã ao fundo, que remete ao primeiro Carménère que provamos. Em boca, precisão é a palavra-chave: como um filme num bom sistema de som, podemos identificar claramente de onde vem o quê. Em um canal, um caminhão de frutas. No outro, notas de pimenta e tabaco. Em mais outro, um certo toque de madeira/baunilha. Um vinho multidimensional, grande, de final longo, com álcool bem presente, mas sem chegar a prejudicar. Uma obra bem executada que nos lembra das idas e vindas da vinicultura: uma uva francesa do Médoc, hoje quase esquecida em seu país de origem, ressurge em todo seu potencial nos longínquos confins de um continente periférico, graças ao trabalho de gente como Mario Geisse.

Todos os vinhos degustados. Concentração é primordial!!

    Meus agradecimentos ao pessoal da Casa Rio Verde por mais uma recebida calorosa e por outra oportunidade de conhecer de perto mais uma lenda da vitivinicultura.    
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Peñalolen Carménère - 2009


    
   Continuando em nossa jornada pela linha Peñalolen, criação da premiada Viña Quebrada de Macul, temos esse Carménère, que, assim como o Cabernet Franc, passa 15 meses em barricas de carvalho francês.
    Coloração rubi muito intensa, que beira o opaco, com diminuto halo aquoso. Logo no primeiro contato olfativo, parece que te enfiaram uma lasca de carvalho pelas narinas. Interessante, já que sempre admiramos os Peñalolen pelo adequado equilíbrio entre expressão frutada e uso consciente de madeira. Aqui, parece que carregaram a mão. Lá no fundo, é possível perceber alguma forma de groselha, cereja ou amora. Em boca as coisas também não melhoram, é pouco expressivo e vazio, bem diferente do que estamos acostumados a ver nessa linha. Curioso, pode ser uma garrafa ruim. A ver.
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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um Rothschild pouco nobre: Mapu Gran Reserva - 2011

    Os Rothschild constituíram, durante o século XIX, o coração do sistema financeiro e bancário europeu. Há inúmeras especulações a respeito da possível influência exercida pela família em guerras e revoluções europeias. O que é certo, no entanto, é que eles foram responsáveis por considerável parcela dos empréstimos contraídos pelo Brasil no exterior durante o século XIX, como o Funding Loan de Campos Salles em 1898. Além disso, sabe-se, também, que eles têm certa predileção por empreendimentos vinícolas, já que controlam alguns dos mais badalados Châteaux de Bordeaux, como o Mouton Rothschild e o Lafite Rothschild e cooperaram na produção de ícones do Novo Mundo, como Opus One e Almaviva. Não menos certo é que também se aventuraram em algumas iniciativas menos nobres, como o Mouton Cadet, um Bordeaux simplório que tenta se valer das credenciais do nome “Mouton”, e propriedades no Chile que deram origem, entre outras coisas, a esse Mapu.
    O rótulo curiosamente não traz menção explícita a qualquer tipo de uva. É apenas no contrarrótulo que aparece alusão à Carménère. Tudo bem, vamos ver a página na internet. Depois de sermos recebidos por um carneiro decorativo, temos uma obra-prima muito adequada para os idos de 1999, 2000, quando nos encantávamos com animações e efeitos em Flash. De conteúdo e informações técnicas, temos pouco. Enfim, vamos ao vinho.
    Visual rubi intenso, quase completamente opaco. No nariz, há difusas notas de frutas negras estilo mirtilo e cassis junto a claros toques de madeira. Em boca é apagado, simples e discreto, quase como uma folha em branco. Um final amargo e decepcionante acompanha cada gole. Uma tristeza. Poucos mercados são tão suscetíveis ao efeito de marcas e de conceitos pré-fabricados sobre qualidade ou valor quanto o setor vinícola. Eis aí um exemplo perfeito. Quase nada há que se falar sobre o vinho em si. Melhor discutir as vicissitudes do mercado.
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sábado, 22 de dezembro de 2012

Viña El Principal - Calicanto - 2009

    A Viña El Principal é criação do ex-proprietário do Château Pavie, Jean Paul Valette. A vinícola foi instalada na região de Pirque, no vale do Maipo, a cerca de 800 metros de altitude. O reconhecimento da crítica logo veio e o vinho ícone da casa, também chamado de El Principal, foi louvado pelo mundo afora. Hoje, provamos o Calicanto, o caçula da linhagem, que, na safra 2009, levou 90 pontos de Robert Parker. Trata-se de um interessante corte de Cabernet Sauvignon (56%) e Carménère (42%). Na safra 2009, os 2% restantes são compostos por pitadinhas de Petit Verdot e Cabernet Franc. Há estágio em barricas de carvalho francês por 14 meses e descanso em garrafa por mais 6 meses antes de sair para o mercado. O nome "Calicanto" é uma referência à ponte homônima construída em Santiago no século XVIII, retratada no belo rótulo.
    Densa coloração rubi, com discreto halo aquoso. No nariz, um jeitão elegante: frutas negras (cassis, mirtilo) explosivas ladeadas por notas complexas de madeira e baunilha. No fundo, há sempre uma reminiscência vegetal, estilo pimentão. Muito agradável. Em boca é, de novo, muito frutado, lembra uma geleia de frutas do bosque. Denso, com bom corpo, redondo, taninos macios, álcool em ordem, final médio. Um vinho muito bom, concilia potência e equilíbrio, algo que não se vê todo dia por aí. Pena que habite, normalmente, a faixa dos R$ 70-80.
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quarta-feira, 14 de março de 2012

William Fèvre Gran Cuvée Carmenère - 2009

www.wfchile.cl
    Já provamos diversos vinhos da William Fèvre: um Cabernet Sauvignon, um Carmenère e um Chardonnay. Todos agradaram. Faltava ainda provar um representante da gama mais refinada, chamada de Gran Cuvée. As uvas que compõem esse corte de 85% Carmenère e 15% Cabernet Franc vêm de San Juan de Pirque, no tradicional Vale do Maipo. Há estágio em carvalho francês por doze meses.
    A coloração é de um rubi muito escuro e opaco. No nariz, é bem direto e simples, a nota dominante é de frutas negras em compota, com algum toque de baunilha. Em boca surpreende pela estrutura e pelo corpo denso, pesado. É daqueles vinhos que cobrem toda a língua. Aqui a madeira já aparece mais, quase chegando a incomodar. O álcool também se faz presente.
    É engraçado, pois geralmente, os vinhos me empolgam no nariz e decepcionam em boca. Aqui ocorre o contrário. Se você aprecia o estilo novo mundo, é um prato cheio.
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Quando a madeira domina o vinho: Cremaschi Furlotti Reserva - Carmenère - 2010

    Não é de hoje que tenho namorado os vinhos dessa tradicional casa chilena, fundada há mais de 100 anos por imigrantes italianos. Segundo a própria vinícola, trata-se da quarta maior produtora do país. Os vinhedos estão localizados no Vale de Loncomilla, uma sub-região do Vale do Maule. A linha Reserva tem preços muito atraentes, geralmente abaixo dos vinte reais. 50% desse Carmenère passa oito meses em barris de carvalho francês, metade de primeiro uso, 25% de segundo uso e 25% de terceiro uso.
    Coloração rubi intensa, quase impenetrável. No nariz, uma lasca de madeira. Pronto. Só. Mais nada. Talvez, lá no fundo, perdido no meio da madeira, um traço de fruta, indistinto. Em boca, um vinho monótono, unidimensional, triste. Madeira a perder de vista. O uso intensivo de carvalho novo é realmente lamentável.
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

35 Sur Carmenère - Viña San Pedro - 2010

    A Viña San Pedro é um dos principais nomes da vinicultura chilena. Desde 2008, integra o grupo San Pedro Tarapacá, terceiro maior conglomerado vinícola do país. Seus vinhedos estão espalhados por quase todos os "Vales" chilenos.
   Toda a gama 35 Sur utiliza um conceito batizado pela San Pedro de “Bi-Vale”. As uvas são plantadas em dois vales diferentes e depois reunidas para formar um vinho teoricamente mais harmonioso. Este Carmenère, por exemplo, utiliza uvas de vinhedos nos Vales do Rapel e do Maule. Há estágio em carvalho francês por seis meses.
   Coloração rubi muito intensa e quase completamente opaca. No nariz, nada de empolgante, apenas muita madeira e um toque de frutas vermelhas artificiais. Em boca é pobre, vazio e magro. A todo tempo, tenta ser algo que simplesmente não é, lançando mão de muita “maquiagem” de madeira. Tem toda a cara de ser planejado e fabricado em laboratório. Na faixa dos R$ 26-30 há inúmeros vinhos mais saborosos, divertidos e sinceros.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Um excelente Carmenere: William Fèvre La Misión Reserva - 2009

    William Fèvre é conhecido por sua dedicação ao famoso branco da Borgonha, o Chablis. No final da década de noventa, contudo, ele decidiu vender sua propriedade na França e investir em novas terras. Na América do Sul, através de uma parceria com Victor Pino Arrigorriaga, nascia a William Fèvre Chile.
    Hoje, provamos a linha de entrada da casa, proveniente de San Juan de Pirque, no Vale do Maipo. É interessante notar que todos os tintos contam com uma leve adição de Cabernet Franc. Este Carmenere, por exemplo, tem 12% dessa interessante casta. O estágio em carvalho é feito em barris de segundo a quinto uso, por oito meses, o que já tranquiliza quanto à tendência, muito em voga, do exagero na madeira. Álcool a 13,9%.
    Visual rubi não muito intenso, ainda razoavelmente translúcido. No nariz, o aroma da sinceridade: nada de madeira em demasia ou frutas muito bombásticas. Framboesas, cerejas e amoras dominam, sim, mas são elegantes, equilibradas, até sutis. Dá pra sentir também um certo tabaco/baunilha. Em boca é macio, tem boa presença, muito frutado, com final médio bastante agradável. Taninos extremamente mansos. Álcool não se faz notar.
    Um excelente vinho pelo preço (R$26-30), muito fácil de beber, ótima opção para conquistar os amantes de vinhos suaves, pela quase ausência de taninos, maciez e elegância em boca. Recomendado!
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Viña Mar Reserva Especial - C.S./Carmenere - 2009

    A Viña Mar tem como grande bandeira o sucesso do Vale de Casablanca na produção de brancos e da Pinot Noir. Já provamos um excelente Chardonnay da casa. No entanto, nem só de Casablanca vive a vinícola, que também possui vinhedos no Vale do Maipo. De lá vem esse corte de 55% Cabernet Sauvignon, 40% Carmenere e 5% Syrah, que passa 14 meses em carvalho francês e americano. O teor alcoólico é de 14%.
    A coloração é de um rubi muito intenso e opaco, quase negro. No nariz, desde o primeiro contato já mostra o excesso de madeira, sempre em primeiro plano. Os 14 meses (provavelmente em barricas de primeiro uso) foram demais. Ainda é possível sentir um certo vegetal de eucalipto e memórias póstumas de frutas negras. Em boca é de novo muito amadeirado, com final curto e certa dose de amargor.
    É triste, vez que dá para perceber o bom potencial e concentração da fruta que infelizmente é suplantada por toneladas de madeira. Custa cerca de R$ 30.
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um Carménère em esteróides: Pacifico Sur - 2009

    Já provamos diversos vinhos da Tutunjian/Apaltagua: um Cabernet Sauvignon, um Carménère e um Chardonnay. São boas propostas trazidas pelo Verdemar a preços convidativos. Faltava ainda, contudo, uma das linhas mais populares da vinícola, a Pacifico Sur.
    Ainda que o belo rótulo diga apenas “Carménère”, temos aqui, na realidade, um corte dessa uva com uma parcela significativa (40%) de Cabernet Sauvignon. Proveniente do Vale do Curicó, metade do vinho passa por estágio de seis a oito meses em barricas de carvalho. Depois, são mais seis meses de descanso em garrafa. Álcool a 13,5%.
    Coloração rubi/púrpura muito intensa, com mínimo halo transparente. No nariz é rico, com notas dominantes provenientes da Cabernet Sauvignon e do estágio em madeira: fumaça, café, pimentão, ameixa, amora. Trata-se de um vinho com tanta extração e concentração e com notas tão claras de pimentão que chega quase a ser propaganda enganosa colocar “Carménère” no rótulo! Na boca mostra mais frutas negras, combinadas com um componente tostado agradável que aparece num final médio, com um certo excesso de álcool. A Carménère finalmente dá o ar da graça, acalmando os taninos.
    De modo geral, um vinho potente, com muito corpo, até agressivo, pesado. Uma excelente pedida pelo preço de R$ 18,90. Só não podem continuar com este “Carménère” no rótulo!!  
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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Um chileno potente e barato: Apaltagua Envero - 2009

    Já falamos aqui sobre a Vinícola Tutunjian, dona da marca Apaltagua. Este Envero é um vinho mais elaborado da casa chilena, um corte de 90% Carmenere e o restante de Cabernet Sauvignon, proveniente de vinhas velhas (o contra-rótulo fala em 60 anos) localizadas no Vale do Colchagua. São de oito a doze meses de afinamento em barril e mais seis de descanso em garrafa antes de sair para o mercado. O vinho vem recebendo boas avaliações da crítica norte-americana, geralmente na casa dos 89 aos 91 pontos.
     Coloração rubi intensa e quase totalmente opaca. No nariz temos café, frutas negras (ameixa, mirtilo) e fumaça. Na boca repete o café mas traz um pouco mais de frutas, principalmente ameixa. Persistência média, com taninos bem presentes. Um vinho dark e concentrado, no qual o caráter varietal da Carmenere é suplantado pela permanência em madeira. O resultado, contudo, não é a completa aniquilação das frutas, mas a formação de um todo mais ou menos harmônico. Agradou. Saiu por R$ 24,90 na promoção do Verdemar. O preço normal fica em volta dos R$30. Bom custo/benefício!
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terça-feira, 24 de maio de 2011

Chicureo Carmenere/Syrah - J.Bouchon - 2009

    Os vinhos da J. Bouchon apareceram recentemente nas prateleiras do Verdemar. Esta tradicional casa chilena, fundada por um imigrante francês nos idos de 1892, tem uma linha para cada bolso, do ícone Mingre a este Chicureo, que provamos hoje na forma de um interessante corte de 60% Carmenere e 40% Syrah. Metade do vinho passa quatro meses em barris de carvalho francês de segundo uso.
    Visual rubi intenso, mas ainda bem transparente. O nariz agrada, consegue ser elegante e equilibrado, sem violências desnecessárias. Traz frutas frescas, cereja, framboesa e cassis. Em boca é bem estruturado, com final curto, repetindo as frutas. Álcool bem integrado e taninos macios. Muito bom vinho, redondo, sem “arestas”. Senti falta apenas de um pouco mais de expressão na boca. Custou R$ 27,90 na promoção.
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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Santa Ema - Carmenere - 2009

    A história da vinícola Santa Ema traz mais um daqueles casos de imigrantes europeus que vieram para o Novo Mundo e conseguiram dar início a uma trajetória de sucesso, lançando um ícone da vinicultura Sul-Americana. Neste caso, temos Pedro Pavone Voglino, que emigrou do Piemonte, na Itália, em 1917. Hoje, a Santa Ema é uma das maiores e mais tradicionais produtoras chilenas.
    Este Carmenere provém da prestigiosa região de Peumo, no Vale do Cachapoal, considerada a melhor localidade para esta cepa. Parece ser uma produção recente, vez que no site da vinícola encontramos referências a esta linha básica da casa, mas de outras uvas.
    Coloração púrpura intensa mas bastante transparente. No nariz temos muita cereja e framboesa “estilo batom”, com alguma coisa de chocolate amargo, bem discreto. Em boca é leve, não muito estruturado, repetindo as frutas. Morre rapidamente, deixando taninos muito macios. Bom vinho, honesto, certinho e sem nada de especial. Deve agradar os que não suportam vinhos mais agressivos e tânicos. Normalmente habita a faixa dos R$ 25-30.
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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Gran Tarapacá - Carmenère - 2009

    A Viña Tarapacá é mais uma figurinha conhecida dos brasileiros. A vinícola faz parte do VSPT Wine Group, colosso que reúne vários rótulos muito conhecidos por aqui. Sua linha de produtos está disponível em quase todos os grandes distribuidores e, geralmente traz boas opções, desde a linha de baixo custo, a Leon de Tarapacá até os Etiqueta Negra, bem mais caros. O Gran Tarapacá se situa na porção intermediária.
    O vinho consiste num interessante corte de 91% Carmenère e o restante dividido entre Cabernet Sauvignon e Petit Verdot. 75% dele passa por madeira e, em seguida, as garrafas descansam por três meses antes de serem liberadas para o mercado.
    Visual rubi um tanto translúcido. No nariz temos muita madeira, frutas em compota (ameixa) e um sutil toque abaunilhado. Bastante agradável. Na boca é intenso e frutado mas bastante simples, morrendo rapidamente. Taninos suaves e álcool um bocadinho além da conta. De modo geral, um vinho muito bom, com um tantinho demais de madeira para o meu gosto. Custou R$10,98 a meia-garrafa.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Carmenere Più - Inama - 2006

    Um Carmenère italiano! Quando vi esta garrafa na loja não consegui me conter. A interessante proposta vem da região dos Colli Berici, no Veneto, nordeste da Itália, pela vinícola Inama. A homepage deles é belíssima, com vídeos e muitas informações sobre a região e os vinhos. Lá, por exemplo, aprendi que a Carmenère foi introduzida nos Colli Berici por imigrantes franceses da Aquitânia, em meados do século XIX. O vinho de hoje faz parte da porção mais acessível do portfólio da casa, o que não o impediu de conseguir belas notas da imprensa especializada. Antonio Galloni, da Wine Advocate, um crítico reconhecidamente "durão", lhe deu 89 pontos, ressaltando a ótima relação custo-benefício. Trata-se de um corte de 60% Carmenère, 30% Merlot e 10% Raboso Veronese, uma variedade local do Veneto. O vinho descansa por 12 meses em barricas de carvalho francês, não passa por filtragem e tem 13,5% de teor alcoólico.
    A coloração é de um granada bastante escuro e intenso, quase preto. Discreto halo aquoso. Muitas lágrimas, um vinho chorão, como gostam de dizer. No nariz é uma beleza, típico Carmenère, com frutas negras em compota muito intensas, especiarias como pimenta do reino e um toque de chocolate e tabaco. Na boca tem bela presença, é equilibrado, taninos bem balanceados, acidez moderada, boa persistência. Um vinho dark, de caráter. Os italianos também sabem trabalhar muito bem a Carmenère! 8,90 Euros.
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